quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009


Ganhei três agendas e a promessa de que tenho de usá-las. Nem que seja uma delas. Amanhã já é 2009 e espero rabiscar cada página com disciplina. É difícil, eu sei, mas é preciso.

Não sei se estou ficando chata, mas às vezes acho um saco as repetições e as obrigações. Obrigação de se divertir na virada do ano; obrigação de estar alegre; obrigação de ver fogos (não vejo nem graça nisso);obrigação de estar com roupa nova; comer lentilhas ou coisas assim... Hoje, até recebi duas mensagens iguais pelo celular... é a obrigação das pessoas em desejar feliz ano novo, na velha maneira de ser...

Eu sei, estou ficando velha e ranzinza... Mas confesso que gosto de mentalizar coisas boas na hora da virada. Uma prece, um pensamento bom. E aí vejo que as pessoas não estão de todo erradas; vejo a necessidade dos ritos de passagem que servem para nos renovar. É isso que desejo a todos: uma maneira nova ou diferente de fazer as coisas, de ver o mundo... Tentativas de inovar, recriar... Sair da rotina.

Uma das agendas que ganhei já está saindo da minha rotina: tem os desenhos e frases do livro O Pequeno Príncipe. Vou ter pena de escrever, mas vai valer a pena.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Toin

Foi um pedido, por isso tenho de postar aqui na minha janela algum virundum, aquelas expressões esdrúxulas que entendemos em uma música no lugar da frase original. O advogado intimista publicou vários e agora pede para que façamos o mesmo para que o mico seja, então, coletivo.

Não me recordo de muitos, mas lembro daquela música do Jorge Ben que dizia o seguinte:

Você com essa sua mania sensual...
de sentir e me olhar...

E no refrão, a frase:

Ai, ai se naquele dia você foi tudo, fez de mim um anjo...
Ai ai...
pro céu, pro céu, pro céu... eu quero ir e vir pro pro céu... pro pro céu...

Como não sabia o título da música achei que fazia o maior sentido... Ora, você fez de mim um anjo, nada mais natural que ele quisesse ir pro céu... Até que um dia o advogado intimista me corrigiu...: É Brussel... Ive Brussel.. Eu quero Ive Brussel...

Que coisa mais sem graça... Sei lá eu quem era Ive Brussel...? E até hoje, não sei... Humpf...

O outro virundum é o mais ridículo de todos, mas lá vai: Música do João Bosco, Nação, aprendido ainda na infância (pra justificar a infâmia), na voz da minha mãe:

Dorival Caymmi falou pra oxum
Concilas toin boa companhia
o céu abraça a terra deságua o rio na Bahia

Tudo bem... tá rindo, né... É pra rir mesmo... O que cargas dágua seria concilas toin... Vá saber... na mente de uma criança tudo pode acontecer principalmente em uma letra que falava de palavras difíceis como oxum, jêge, labar água...

Concilas poderia ser alguma palavra em espanhol...

Mas o Dorival estava mesmo era na boa companhia do bendito Silas...
Segue o original

Dorival Caymmi falou pra Oxum:
Com Silas tô em boa companhia
O céu abraça a Terra,
Deságua o Rio na Bahia
Dorival Caymmi falou pra Oxum:
Com Silas tô em boa companhia
O céu abraça a Terra,
Deságua o Rio na Bahia
Jêje
Minha sêde é dos rios
A minha cor é o arco-iris
Minha fome é tanta
Planta flor irmã da bandeira
A minha sina é verde amarela
Feito a bananeira
Ouro cobre o espelho esmeralda
No berço esplêndido
A floresta em calda
Manjedoura d'alma
Labar água, sete quedas em chama
Cobra de ferro Oxumaré
Homem e mulher na cama [...]
...
É isso...

sábado, 20 de dezembro de 2008

O beija-flor e a formiga

Minha mãe tem uma sensibilidade incomum. Ela faz da nossa casa um universo mais do que particular. Por isso, dei a ela, em seu aniversário, uma máquina fotográfica. Acho que ela não entendeu na hora. Não sei se gostou, mas descobriu, com o tempo, minha real intenção: deixar as lentes da máquina captarem aquilo que ela sempre reclamou: "Ah, se tivesse uma máquina...".

A primeira foto dessa leva de flashs do cotidiano veio com o pouso de um beija-flor no varal de casa. A seqüência mostra algumas fotos tremidas, as tentativas de uso do zoom, o enquadramento de partes do pássaro, até que, finalmente, o beija-flor aparece em toda sua plenitude... Quietinho no varal, como se quisesse sair na foto.

Da cumplicidade entre fotógrafa e beija-flor, há o registro até do movimento das asas em despedida... Aqui publico somente duas dessas fotos. A última sessão de fografias, ela não conseguiu captar direito e talvez não desse mesmo: uma formiga carregando algo pra sua "morada". Ela tentou registrar e filosofou: "Quando vejo a luta de uma formiga, carregando sozinha um alimento ou pedaço de madeira pra dentro da casa dela, não consigo pensar em matá-la".

Ah, se existisse uma máquina que ajudasse os outros a ter esse mesmo olhar...

Natal tem dessas

Ontem foi daqueles dias que parecem impregnados por um tempo... o tempo do Natal...

Fui ao Centro, ao banco. Saí por volta das 13h... Estava só... Já não era mais o Centro dos dias comuns. Por incrível que pareça, não havia rush. O sol estava frio e, aproveitando o tempo, liguei o som do carro. Estava tocando Um trem para as estrelas... Cazuza passeando comigo pelo Centro...

Nostalgia...


São 7 horas da manhã
Vejo Cristo da janela
O sol já apagou sua luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas dos pontos de ônibus
Procurando aonde ir
São todos seus cicerones
Correm pra não desistir
Dos seus salários de fome
É a esperança que eles tem
Neste filme como extras
Todos querem se dar bem

Num trem pras estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas ...

* Um trem para as estrelas - Cazuza e Gil

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Aos visitantes



"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim".

Caio Fernando Abreu



*

domingo, 7 de dezembro de 2008

Interdição

Estava assistindo, ontem, ao filme "A dupla Vida de Veronique", de Kieslowski. Mas o que me chamou atenção, além do próprio filme, é claro, foi uma palavra dita pelo diretor nos extras do dvd. Kieslowski falava do roteiro e de algumas interdições da vida que são iguais em qualquer lugar do mundo: na Polônia ou no Amazonas (essa adaptação é minha)...

Essa palavra interdição (inter + dito) me tocou fundo, talvez pelos dois filmes dele que assisti nessas duas semanas: além de "Dupla vida", também havia assistido, semana passada, ao "Não amarás"... Os dois, na realidade, falam de amores verdadeiros, mas ao mesmo tempo impossíveis.

Em Não amarás, um rapaz tímido cerca sua vida com um romance real (pra ele), mas impossível na vida de fato. Ele se apaixona pela vizinha do prédio à frente do seu, observando seu dia-a-dia a partir de uma luneta em seu quarto. Todas as suas ações, a partir daí, são conduzidas por esse amor: escolhe trabalhar no correio para ter acesso às cartas que ela trocava com um amor que se foi e também para poder se aproximar dela, quando ela ia ao Correio; depois, decide ser leiteiro para poder entregar o leite na porta da amada. Em algumas vezes, até altera o curso da história da vizinha, como se quisesse mostrar que aquilo tudo era real. Esse real, no entanto, se esfacela quando a amada descobre tudo e reduz o amor do rapaz ao que ela achava setratar somente de desejo sexual. Isso foi a morte para ele, mas não irei contar o final pra alguém poder ver e ter sua própria leitura.

Em "A Dupla Vida de Veronique" há também outras interdições. A de duas personagens que nascem no mesmo dia, mas em lugares diferentes. Elas sentem uma a presença da outra, mas não se conhecem de fato; o filme fala também de um amor real e quase impossível. Veronique se apaixona por um titereiro, aquela pessoa que manipula os personagens em um teatro de bonecos. Não se trata mais de uma personagem tímida (até aparecem cenas de sexo com o namorado), mas de uma personagem que descobre um outro amor possível.

Não sei de que maneira, mas o entreolhar dos dois faz com que o titereiro, mesmo em outra cidade, consiga levar Veronique até ele em um jogo de correspondências e surpresas. É interessante quando Veronique vira para o pai e diz que está apaixonada: o pai pergunta se é correspondido e ela diz que o amado não a conhece e nem ela mesmo conhece o amado, mas sabe que algo marcou no dia em que o viu.

Gosto de pensar nessa possibilidade: de que é possível amar nas entrelinhas; de que é possível amar de outras maneiras e não falo só dos amores do coração, dos amores da carne. Quando desenho, quando leio ou vejo filmes, minha alma fica mais leve... porque esses amores também tornam possíveis os interditos.

* Kieslowski morreu em 1996, de infarto. Não sabia... uma pena...

De escorpiões e amizades

Parei pra pensar: Selma, Tereza, Marcos, dona Terezinha e Aline. O que eles têm em comum, além de me conhecerem? São todos de escorpião, o signo. Estou cercada por eles, portanto. É claro que conheço muito mais escorpianos, mas esses aí são de minha convivência diária.

Selma aniversariou no dia 06 de novembro. É minha irmã do meio, com se diz. Sempre pareceu a mais forte e segura das três filhas de dona Neusa e "seu" Wilson. E acho que é mesmo ou então o signo ajuda um pouco a ser a mais decidida... É assim que vejo.

Tem tb algumas paixões e conviccções: vôlei, poesia, Rafael Nadal e os cachorros. E foi a cena dela com um de nossos cachorros (ela não gosta que digamos nossos porque ela se acha a única dona) que me marcaram e que talvez traduza um pouquinho do que ela é: em um dia de grandes decisões, ela entra em casa com uma cadela no colo. Eu olhava pela janela. Estava desesperada, mas falava baixinho com a cadela, como se quisesse tranquilizar o animal. Foi para o fundo do quintal e colocou o drama pra família. É que, antes dessa cena, Gigi, que antes não tinha nome, foi encontrada agonizando na rua, em frente de casa. Estava muito mal. Minha mãe decidiu ajudar. Deu água, comida e um pouquinho de carinho.

A cadela se recuperou, mas ainda tinha problemas. Não sabíamos do que se tratava. Então, Selma levou a cadela ao veterinário e o diagnóstico era o de que a cadela teria de ficar em uma espécie de quarentena.

Como já tínhamos outros dois cachorros, ficamos com medo de a cadela passar o problema a todos eles. Foram dias de mais desespero. Até eu fui atrás de algum quarto pra alugar. Selma cuidaria da cadela nesse quarto. Sei que alguém ao ler esse texto vai achar loucura, porque foi assim que as pessoas me olhavam quando dizia que estava atrás de um quarto, um canto pra minha irmã cuidar da cadela. Mas quem gosta de animais sabe do que estou falando e me entende bem. É o que importa.

Não achamos o quarto, é claro. Ninguém alugaria ou emprestaria. O jeito foi dividir o quintal ao meio. Mandamos construir uma cerca e uma casinha ao fundo. Gigi ficou sendo cuidada pela Selma naquela alemanha oriental particular.

O drama daquele dia em que ela voltou do veterinário é que Gigi estava se recuperando, mas não poderia ficar muito tempo no veterinário. No entanto, ela também não poderia ficar em casa porque contaminaria os outros cachorros. Foi aí que surgiu em família a idéia de sacrificar o animal. Ninguém sabia, na realidade, se Gigi se recuperaria de fato.

- Nem pensar! Foi a minha decisão, sabendo que era isso que Selma queria ouvir (ou talvez todos ali). Disse: "Já fizemos tanto bem pra essa cadela até aqui, não podemos reverter esse bem em mal. E aí veio a história do quintal e da casinha. Gigi ficou boa e derrubou nosso muro de Berlim... Mora em casa, com a gente... E assim continuo aprendendo muito com ela.

A Tereza é a outra escorpiana que apareceu, assim nessa ordem, na minha vida. Estudamos juntas na faculdade, só não digo a quanto tempo, por motivos óbvios. Hoje trabalhamos juntas. Uma amizade que já dura muitos anos pelo respeito que temos uma pela outra. Não existe cobrança de nossa parte, aquelas cobranças que amigos fazem. Apenas somos amigas. E ela não gosta muito de se expor em blogs ou orkuts da vida... Paro por aqui, portanto sobre essa escorpiana...

O Marcos foi o terceiro escorpiano a aparecer na minha vida. Mas a história dele já contei aí embaixo. Ele nem gosta mesmo dessas histórias de astros e horóscopo.

Dona Terezinha é a mãe do Marcos. Nascida no dia 02 de novembro, no dia dos Finados, é uma pessoa maravilhosa com uma história de vida incrível. Ás vezes, ela é muito direta, sem rodeios; outras vezes, é só sentimento.

Aline surgiu bem depois. É a escopiana do dia 17. Ela tem me ensinado muitas coisas e gosto de ouvir sua opinião e comentários. Funcionamos meio como espelho uma da outra quando queremos saber se o que estamos fazendo está indo pelo caminho certo. Aline apareceu na minha vida e eu na dela por algum arranjo do destino. Descobri isso quando um dia ela virou pra mim e perguntou: "Você estava bem, ontem? É que eu fiquei com uma vontade imensa de te ligar, como se você precisasse de ajuda."E não é que eu precisava naquele ontem? De alguma maneira, ela pressentiu que eu estava down. Agora, ela aguarda o nascimento de mais um amazonense (ela é carioca) na sua vida...

E é isso.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Um sábado de novembro

Em uma sala pequena, com um computador e um hd externo, eles conversavam sobre música, expressamente sobre música. Quase não percebiam quem estava ao redor... Os olhos brilhavam a cada clip que aparecia na tela e a cada nova informação musical... Pareciam tesouros. Vi a felicidade no rosto do aniversariante, um escorpiano tímido, mas cheio de paixões e várias convicções: Pagode? Nem morto, dizia a frase estampada em sua camisa. Alguns bregas tradicionais, no entanto, esses, sim, podiam... "Tira, tira, tira a calcinha"... "Nós prometemos não chorar"... algumas frases antológicas do cancioneiro (?) brega ecoavam daquele apartamento de amigos. Todos riam. Pausa para o que chamo de caricatura da música. Só rindo pra entender... Mas tinha também PJ Harvey, Bjork, Placebo... e uns nomes que só eles conheciam...

Era tudo o que ele queria naquele dia; no dia dele. Era tudo que ele havia imaginado. M.de.O, como é conhecido na blogosfera (nem gosto dessa palavra), teve uma noite memorável e não só para ele. Foi uma reunião de bons e velhos amigos. Uma reunião em torno de boas histórias e música. Em torno de afetividades, como disse Vera, sempre indispensável. Até o Márcio e a Elaíze apareceram... registre-se o fato. Márcio já não aparecia há algum tempo. Ele parece ser o ponto de confluência dos amigos, com sua extinta Musical Box (embora vivinha da silva, na memória de todos). Foi Denis, amigo de M.de O. de longas datas quem descobriu a musical box e o levou até lá. Nem imaginavam um dia conhecerem eu, Elaíze ou Mário. Com exceção de mim (que inveja), Elaíze e Mário já frequentavam a loja e falavam sobre músicas nada comerciais. Fico imaginando se um dia todos eles não se esbarraram pelos cds da musical box, mesmo sem se conhecer.

Por força do destino (parece até música do Belchior), todos acabaram se conhecendo e descobrindo, mais tarde, o ponto (entre vários outros) em comum. Ah, a cerveja, de preferência a Heineken, é outro desses pontos em comum.

M. de O., no dia 8 de novembro, estava com uma expressão semelhante a do dia em que viu o boi Garantido surgindo da arquibancada, em Parintins. Parecia um menino de tão feliz. O vermelho e branco é outra de suas paixões, registre-se também isto. Nem precisamos falar do Flamengo a essa altura.

Já se vão oito anos de convivência. Conheço tanto o M. de O. que sei os jeitos e manias, o momento em que algo está errado e todas as nossas paranóias. Foi graças à internet que nos conhecemos: ele como Marcos e eu como Sol. Tempos de poesia, de papos-cyber-cabeça, tempos de reencontros.

Como diz a música: "eu, você, nós dois, já temos um passado, meu amor". Na falta de um violão guardado, serve o hd externo e sua infinidadede músicas que nos dizem tanto desse caminho trilhado.

Um dia, M. de O. me deu de presente um caderno com todos os nossos e-mails trocados quando ainda não nos conhecíamos fisicamente. Ali tem guardado um pouco do que somos (ou até do que queríamos ser). No seu dia (não consegui postar no dia 08, mas vale assim mesmo), deixo um post que traduz um pouquinho do Marcos que conheço. O do Cyber espaço e o da vida real. Reúno comigo os dois e a vida fica assim bem melhor de se viver. Feliz aniversário, "meu amar", parafraseando seu post.

* Ainda vou fazer um post sobre o apartamento do Mário, que gentilmente nos abrigou em um sábado de novembro.
Legendas:
Foto acima:Mário mostra o pen drive do Márcio, de preto, à esquerda, na foto. M.de O. tomando um gole de Heineken ao lado de Denis. A pergunta: Quem levaria um pen drive para uma festa de aniversário? E ao centro, a tela do computador, reluzente, na era das músicas-downloads.
Foto abaixo: Alegria-alegria: eu e M.de O, no Festival de Parintins. No canto, à direita, uma apropriação do personagem M. de O. com bjos virtuais.

domingo, 2 de novembro de 2008

Jornalismo às avessas

Manaus criou, nos últimos meses, uma nova categoria para o Jornalismo: chama-se DESJORNALISMO. Explico o novo fenômeno, que nem é tão novo assim, mas chegou a seu ápice nessa última eleição (a cada nova eleição há sempre um ápice).

O prefixo DES tem um significado claro quando se aproxima de outra palavra. Houaiss que o diga, na sua primeira e também segunda acepção:

DES
" 1) oposição, negação ou falta: desabrigo, desamor, desarmonia, desconfiança, descortês, desleal, desproporção, dessaboroso; 2) separação, afastamento: descascar, desembolsar, desenterrar, desmascarar".

Percebam que toda vez que este prefixo cola em uma palavra, de imediato o que era bom fica mau: amor vira desamor; honestidade sucumbe à desonestidade; leal em um instante torna-se desleal e por aí vai... Logo, ao se aproximar da palavra Jornalismo, o que temos é um DESserviço, um adeus ao Jornalismo. o DESJORNALISMO, portanto, é a negação de tudo que se aprende nas escolas de comunicação. Basta olhar os jornais, ouvir as rádios e ver tv: o ouvir o outro lado, norma básica em qualquer lugar do mundo, e não só no jornalismo, foi sumariamente DEScartado das redações, principalmente nas manchetes impressas e até sem manchetes. Agora é DEScarado mesmo e não mais subliminar como se vê em outras plagas jornalísticas ou se via no passado. Será que eles acham mesmo que podem passar ilesos sem atingir o bem maior do jornalismo que é a credibilidade? Acreditar nessas montagens pseudo-jornalísticas é prescindir demais de nossa inteligência.

Se depois do segundo turno já estava com vergonha de Manaus, fico duplamente envergonhada porque sei que o resultado é fruto também da utilização dos veículos de comunicação da maneira mais abjeta possível. E no meio disso tudo, ainda há jornalistas sérios que, imagino, devam estar ainda mais DESconfortáveis com toda a situação. Não os culpo. Talvez eles sofram mais que a gente porque estão perto dos bastidores. No passado, sempre dizíamos que o problema estava com os donos dos veículos, que não eram jornalistas, mas até no jornal onde os donos são de fato jornalistas, a utilização DESavergonhada tomou lugar.

E ainda teve jornal que disse não ter ouvido o outro lado porque o "fato" chegou no final do fechamento da edição. Mais competente foi o setor de marketing que mesmo no calor do dito dead-line conseguiu produzir uma cinta (aquelas faixas de papel que embalam o jornal) em tempo pra lá de recorde. Isso é que é competência!

O DESJORNALISMO é, na verdade, um subproduto do pior tipo de marketing (deixo margem para os que têm responsabilidade), onde se ressalta sempre o lado positivo daquele que vos paga, custe o que custar. Ressalvo a observação do Stalimir Vieira lembrando de uma publicitária ou profissional do marketing que queria fazer uma campanha para a população se auto-medicar e, com isso, aumentar as vendas de seu cliente (uma empresa farmacêutica ou algo assim...). Um crime, ele contou, não permitindo que aquilo acontecesse. A Publicidade, pelo menos, ainda tem um Conar da vida para frear os abusos. Já o jornalismo... Vamos cobrar de quem?

Quem sabe chegaremos ao dia em que a primeira página de um jornal ou a locução das rádios e tvs venham com a seguinte frase: "Esse produto faz mal à humanidade". Mas espero mais ainda que essa frase não seja mais necessária e que o prefixo DES seja banido tanto de minha desESPERANÇA quanto do DESjornalismo.

domingo, 26 de outubro de 2008

Escureceu... (leia-se um tiro no pé)


Lembro de uma nota publicada em um jornal de grande circulação na época da ditadura militar: "Nuvens negras no céu; o tempo fechou" ou algo assim... Eram mensagens subliminares deixadas pelos editores aos leitores mais atentos na tentativa de mostrar que estavam sob censura braba e que o mar não estava pra peixe.

Hoje, em Manaus, o tempo também fechou. Desaprovar o governo de Serafim seria votar nulo ou branco. Eu entenderia perfeitamente, mas transferir essa votação a Amazonino, é dar um tiro no próprio pé, se é que os que votaram nele entendem o que digo.

Podemos dividir esses votos em dois segmentos: os ignorantes e fascinados com o populismo de um lado; e os que esperam favores em troca do voto, de outro.

Só assim pra entender o que aconteceu.

O passado de Amazonino guarda inúmeras denúncias, que ele nega de pés juntos. Mas são tantas denúncias de improbidade administrativa que só pela desconfiança merecia um pé atrás do caro eleitor.

Ainda restaria ficarmos atentos, feitos fiscais, mas as coisas são feitas de uma maneira tal que nem sherlock holmes se atreveria a descobrir.

Segue trecho publicado nos tempos áureos de Veja, em 1997:

Homem rico -- Aos 57 anos, Amazonino Mendes é um milionário, com patrimônio estimado em 200 milhões de reais. Mas, sempre que precisa revelar sua fortuna à Justiça Eleitoral, o que vem a público é uma lista de bens de operário da Zona Franca. Daí por que no Amazonas se desconfia que o governador recorra a testas-de-ferro para comandar as suas empresas. A Capa e a Exata, duas empreiteiras do Estado, por exemplo, são de Otávio Raman, um ex-motorista de caminhão e dono da belíssima mansão onde o governador reside em Manaus. Na fita, diz-se que Raman costuma apresentar-se como sócio do governador. A Exata fechou recentemente. "A tática é essa", acusa Bomfim. "Eles criam uma empresa, colocam no nome de alguém e sonegam impostos até pedir a falência. Depois criam outra, com outro testa-de-ferro, e assim vão indo", conta.

Ou seja, um tiro no pé...

Janelas

Definitivamente não nasci para a ficção. Não consigo como Selma, Larissa ou Suzi criar histórias do nada. Acho que por isso escolhi a profissão certa. O que me move a escrever é sempre o real. Ontem, uma cena me chamou atenção: uma garota sentada, limpando os olhos de lágrima ao lado de um rapaz, que falava algo pra ela. Minha mente foi longe. Pensei logo nas decepções amorosas. Na dor daquela hora. Lembrei também da interpretação da Elis Regina, chorando, com a letra da música "Atrás da porta", do Chico Buarque:


"Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei..."


Esse olhar que corta como faca e acaba nossos dias.

Queria dizer pra ela que passa, mas a dor não iria passar assim.

Já presenciei várias cenas dessas: de parentes a conhecidos e desconhecidos. Nesta viagem para São Paulo vi cena semelhante: fomos pedir informação de um casal sentado ao longe, em uma estação de metrô. Ao nos aproximar, a moça tentava esconder o rosto, escondendo também as lágrimas. Que chato, pensamos eu e Júlia, minha colega de trabalho.

Devíamos ter uma fórmula mágica que apagasse esses dias. Ou uma pílula que fizesse passar a dor. Por enquanto, o único remédio conhecido tem sido mesmo o tempo. O tempo e nossos projetos pessoais: aquilo que nos faz vivo, como escrever um livro, pintar ou ir ao cinema... Só não se pode morrer por antecipação.

Espero, no entanto, que as cenas vistas tenham sido mal interpretadas. Quem sabe não eram dores do coração, mas sim de outra ordem de sentimentos, a exemplo das interpretações possíveis do livro/filme "Desejo e reparação".

Quem sabe...

"A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo." Merleau-Ponty

sábado, 25 de outubro de 2008

Os meus, os seus, os nossos...

Há alguns anos vínhamos observando um movimento interessante de recusa da população aos candidatos tradicionalmente vistos, tachados e até comprovadamente corruptos. ACM e Maluf sempre foram os mais emblemáticos. Eles sempre voltavam como candidato, mas nos últimos anos, nem com todas as mandingas da Bahia de todos os santos, conseguiam eleger seus candidatos. ACM desde 2006 sentiu o baque; seu neto idem. Maluf quase perdeu todas as eleições.

Em Manaus, tínhamos convivido com isso também. Amazonino sempre carregou, até nacionalmente, a pecha de corrupto além daqueles outros adjetivos que colam toda vez que falamos genericamente da verve de um político. Nas últimas eleições ele perdeu e agora retorna com indicativos de que pode vencer.

Admito que há nesses candidatos uma espécie de fetiche (só Freud pra explicar isso), de carisma também fruto de outro fetiche: daqueles que aparecem na TV ou outras mídias. Certa vez, quando fazia a cobertura de um caso trágico em Manaus (um menino que caiu em um poço; a cobertura levou alguns dias), ouvia e via as pessoas fascinadas ao redor dos jornalistas de televisão. Uma menina me perguntou em qual TV eu trabalhava e expliquei que era de jornal impresso. Ela se virou, um tanto decepcionada, mas pediu assim mesmo um autógrafo.

Muito estranho, foi o que achei na hora. Sem falar na curiosidade mórbida que boa parte da população tem. É essa magia que faz de um candidato medíocre ser, em pouco menos de um ano, um fenômeno de votação. Mundo cão nas telas é fórmula consagrada.

Assim, colocando no mesmo balaio (não vou falar de gatos porque seria uma maldade com os bichanos) todos os candidatos tradicionalmente vistos e apontados como corruptos, fico sem entender como alguém em sua sã consciência ainda possa escolhê-los para gerir suas vidas.

E aí me vem a explicação individualista. Embora uma eleição seja coletiva, é o individual, nesses casos, que acaba prevalecendo. Quem escolhe um candidato sabidamente (ou sabinamente) corrupto, só pode estar pensando de maneira egoísta de que poderá se beneficiar desta mesma corrupção, acreditando ser em menor escala. Por isso ouço tantos argumentos como os que seguem: voto em troca de uma vaga de emprego para um marido; uma facilitação para a empresa x; um emprego fantasma para outro; uma passagem aérea, enfim, uma vida boa para "os seus".

Nesses casos, portanto, não importa se for um Hitler, um skinhead ou a ku kux klan: o que importa é levar vantagem. O que importa é que seu mundinho seja preservado. Às favas crianças nas ruas; às favas educação; às favas saúde. A prioridade será sempre "os seus". Por isso, os políticos falam quea educação pública melhorou, mas continuam colocando seus filhos em escolas particulares. Por isso, falam que a saúde melhorou, mas continuam pagando planos de saúde ou levando "os seus" para fora do estado ou até país.

A essas pessoas não há outra explicação: falta o que comumente chamamos de "vergonha na cara".

E a essas pessoas não permitiremos que reclamem, JAMAIS, da vergonha dos desvios de verba, do uso de dinheiro público para favorecimento pessoal. CALEM-SE, TODOS. Não falem mais de política; não reclamem da saúde; não falem da educação. Não digam: cansei. Não resmunguem sobre o trânsito. Nem se o vizinho colocar o som às alturas. Vocês perderam o direito.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Dias nostálgicos

Hoje é um dia daqueles que você acorda, encontra rotina... depois o sol e os sons te deixam um tanto nostálgica... Preciso de coisas pra fazer...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Down

Estou em São Paulo. Quem me conhece sabe que gosto muito dessa cidade. Mas essa história do sequestro me deixou muito down... mal mesmo...

amanhã deve ser outro dia...

domingo, 12 de outubro de 2008

Viver é desconfortável

Um trecho de Clarice para uma tarde de domingo meio cinzenta...

"Ah, viver é tão desconfortável. Tudo aperta: o corpo exige, o espírito não pára, viver parece ter sono e não poder dormir - viver é incômodo. Não se pode andar nu nem de corpo nem de espírito.
...

Tudo acaba, mas o que te escrevo continua. O que é bom, muito bom. O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas.
...

Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou - apesar de tudo - sendo alegre. [...]
Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo.

Trechos de "Água Viva", mas admito que não estão na ordem em que aparecem no livro.

sábado, 11 de outubro de 2008

Los

Um dia estávamos em uma discussão sobre quem gostávamos mais: Camelo ou Amarente, do Los Hermanos. Confesso que ainda não sei, mas ao ouvir o CD-solo do Camelo consegui reviver um pouco do Los. Bateu uma saudade...

Mas a música último romance, do Amarante, é das minhas preferidas...




Último Romance

Eu encontrei quando não quis
mais procurar o meu amor
e o quanto levou foi pra eu merecer
antes um mês e eu já não sei
e até quem me vê lendo jornal
na fila do pão sabe que eu te encontrei

e ninguém dirá
que é tarde demais
que é tão diferente assim
do nosso amor
a gente é que sabe pequena

ah vai
me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
afim de te acompanhar
e se o caso for de ir a praia
eu levo essa casa numa sacola..

eu encontrei e quis duvidar
tanto clichê
deve não ser
você me falou
pra eu não me preocupar
ter fé e ver coragem no amor
e só de te ver
eu penso em trocar
a minha tv num jeito de te levar
a qualquer lugar
que você queira
e ir onde o vento for
que pra nos dois
sair de casa já é
se aventurar

ah vai
me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém
afim de te acompanhar
e se o tempo for te levar eu sigo essa hora
eu pego carona
pra te acompanhar

* A capa do CD é bem sugestiva (sou/nós) e o encarte muito bonito...

Cinismo

Parei pra prestar atenção na letra. Adorei! "De cada amor tu herdarás só o cinismo".

O mundo é um moinho
Cartola

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó.
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

Cartola

Hoje é dia de Cartola. Data de seu nascimento. Dia de poesia, de lirismo. Lembro do Cazuza cantando "O mundo é um moinho" e fico me perguntando, como pode alguém tecer versos que nos tocam tanto...?

Viva, Cartola!


e o Sol nascerá...

A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
Finda a tempestade
O sol nascerá,
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém para amar.
A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
Levar a vida

*Música pra espantar todos que nos deprimem!

domingo, 5 de outubro de 2008

Dragão da Maldade

Hoje é dia de eleição e apareceu na porta de casa um panfleto dando conta de que Praciano é o candidato capaz de vencer Amazonino. Abro o jornal Em Tempo e o Contexto diz que só Omar pode derrotar Amazonino no segundo turno... Serafim já havia falado o mesmo... Navarro e Bessa não falam em vencer, mas mostram porque não devemos votar "neles".

Daí me veio o filme de Glauber Rocha, "O Dragão da Maldade contra o santo guerreiro" e a frase-explicação de Glauber:

"O Dragão é inicialmente Antonio das Mortes, assim como São Jorge é o cangaceiro. Depois, o verdadeiro dragão é o latifundiário, enquanto o Santo Guerreiro passa a ser o professor quando pega as armas do cangaceiro e de Antonio das Mortes. Em suma, queria dizer que tais papéis sociais não são eternos e imóveis, e que tais componentes de agrupamentos sociais solidamente conservadores, ou reacionários, ou cúmplices do poder, podem mudar e contribuir para mudar. Basta que entendam onde está o verdadeiro dragão."

Sabemos que temos um dragão maior da maldade, mas muitos outros desempenhando o mesmo papel... Está difícil entender...

Na inversão de papéis, nem acreditei quando vi Vanessa e cia pedindo voto para Omar. Há alguns anos, eles estariam em lados opostos. Da mesma maneira, Omar contra Amazonino e assim por diante...

Talvez o difícil, Glauber, não seja entender onde está o verdadeiro dragão, mas saber por que há mais cúmplices dos dragões do que santos guerreiros.

domingo, 28 de setembro de 2008

Alarme falso

Sábado quase bati o carro. Exagero, eu sei, mas fiquei alguns segundos sem respirar ao ver um outdoor com o seguinte anúncio: U2 e Bon Jovi no mesmo palco! Tropical Hotel (algo assim).
Por se tratar de outdoor, não deu pra ver mais do que se tratava, mas a promessa de U2 (iria também ver o Bon Jovi, mas não sou fã) em Manaus me deixou atônita.

Uma pena... bem no canto do outdoor, nas chamadas letras miúdas... estava lá...


COVER...

Humpf!

Cegueira

Passei alguns dias com imagens que, de vez em quando, visitavam minha mente. Eram cenas do filme “Ensaio sobre a cegueira”, adaptação de Fernando Meirelles para o livro homônimo de José Saramago.

As imagens mais recorrentes, no entanto, eram as que considerei também como as mais fortes no filme porque registravam não apenas uma cena de estupro, mas também a crueldade humana. Não consigo entender a barbárie. Não consigo entender os homens. Não consigo entender aqueles que se chamam de civilizados.

Talvez o meu não-entender esteja na base da “cegueira branca” do filme, doença criada pela ficção para tentar descrever o ser humano (ou o não-humano). “Ensaio” conta a história de pessoas sem histórias, sem nomes, em uma cidade fictícia, que são vítimas de uma epidemia: a cegueira branca. Elas são confinadas em um sanatório abandonado e em condições subumanas.

Da nova vivência – somente a protagonista enxergava e fingia não ver – vão surgindo os grupos e “guerras” que tanto conhecemos: intrigas, lutas pelo poder, liderança, afetividade e a cegueira total, em todos os sentidos. Ver, não ver, não querer ver e querer ver fazem parte de nossas escolhas diárias. É preciso estar atento a elas.

Saí do cinema (uma sessão e meia porque a primeira delas houve queda de energia e não pudemos ver o final; tivemos de continuar o filme em outro cinema) com o coração pesado, confesso, mas ao mesmo tempo feliz com a realização do filme. Não li o livro e estou curiosa para lê-lo, mas é esse estranhamento (“um soco parado no ar”, no dizer de Walter Sales sobre o filme) que me faz ter certeza de que se trata de um dos melhores filmes que já vi. Vale a pena querer ver também.

* o filme não foi bem recebido pela crítica quando da apresentação em Cannes, mas do que li houve um erro ao se criar um paralelo com o filme Cidade de Deus, como se o diretor sempre recorresse a temas que enfocam a pobreza, favelização e violência. Um erro, no meu entendimento: a violência a que ele fala é de outra ordem, embora toque também no Brasil.

** Não li muito sobre as filmagens sobre Cegueira, mas tenho quase certeza de que a segunda imagem desse post foi filmada em São Paulo.

domingo, 21 de setembro de 2008

Non sense

Ontem, vi/ouvi uma cena tão estranha quanto absurda: a cantora Cláudia Leite (acho que é esse o nome) cantando uma música do cantor Wando... só que em ritmo de axé.

Deus-me-livre-e-guarde!

domingo, 14 de setembro de 2008

A menina e os livros


(da série: amigas aniversariantes)

Ela entrou na sala da coordenação com um livro que emprestaria para uma outra coordenadora. Olhei pra ela e fiquei orgulhosa: uma aluna de jornalismo interessada em livros! Que bom. Ela falava de Machado deAssis, gabando-se de ter toda a coleção de livros do autor brasileiro. E fiquei ainda mais orgulhosa porque ME vi naquela menina. Ela parecia comigo, a começar pelo peso que tinha quando entrei na faculdade (há muitos e muitos anos =); os cabelos longos e o riso sempre pronto no rosto.

Larissa, Lalá ou Lilica para alguns faz aniversário neste 15 de setembro. Pois é, também é virginiana como eu, mais uma das coincidências da vida. Foi minha aluna e, depois, fez estágio comigo na Assessoria do UniNorte. Daí, não teve jeito, como a Elaíze, a Tereza e a Liege, fomos reunindo semelhanças. Ela me ajudou em momentos difíceis da coordenação e de outros até mais pessoais. Da mesma formatambém a ajudei em outros momentos de sua vida. Já me viu chorar e sorrir, ingredientes que solidificam a amizade. Também vamos ao cinema: às vezes com Bruna, a irmã dela, já que Elaíze quase nunca tem vontade de sair de casa e Marcos não assiste a filmes comerciais.

Somos tão parecidas que de vez em quando alguém vem e pergunta se somos mãe e filha. Digo sempre que acho que sim, nem que tenha sido em outra encarnação. Ou então, que ela é a mãe porque sempre tem uma receita de remédio caseiro ou um jeito de "mais velha" de chamar atenção.

Quando ainda era estudante, podia ser vista todos os sábados nas sessões do Cine-Fórum. Nem precisava de amigos para fazerem companhia. Ia pelo prazer do cinema. Também adora quadrinhos e, às vezes, acho que gostaria de entrar na página de algum HQ como uma personagem.

Enquanto isto não é possível, aproveito esse dia para lhe apresentar minha nova casa com apenas uma janela. Uma janela azul. Entre, divirta-se e faça comentários. A casa é sua, não é assim que se diz?

Parabéns pelo seu dia, que ele traga e espalhe muita saúde, amor e felicidades mil pra você.
Bjos

* Ah... não repara na ilustração. Ainda estou engatinhando na tal da tablet... um dia chego lá;

Mais um pra chorar




Ontem, estava vendo o trailer do filme P.S. Eu te amo. É daqueles filmes da minha lista de choros incontroláveis. É muito triste, mas tem um lado engraçado. Acho que vale a pena ver, a não ser que você seja como eu. Se for de chorar à toa, nem chegue perto...

sábado, 6 de setembro de 2008

05 de setembro

Ontem, foi o meu aniversário... mas não gosto de aniversários... Vá entender o motivo...
Só sei que ontem estava mais emotiva do que o de costume... choreei feito uma condenada... Mas só choro quando alguém vem me dar uma abraço... Sei lá... preciso de tratamento...

domingo, 31 de agosto de 2008

O quintal e o umbigo

Se há uma coisa que não consigo fugir é da indignação. Não consigo ler os comentários contrários às terras contínuas da Raposa Serra do Sol e não ficar indiferente. Primeiro pela infantilidade dos argumentos; depois, pela impotência em saber que, ao serem de Direita, jamais poderiam pensar de maneira diversa.

Do mesmo modo, tenho medo. Li a argumentação do ministro Carlos Ayres e está tudo lá. Usaram até má fé na contagem das tribos. Pena que os demais não me parecem ser tão coerentes. O pedido de vistas foi festejado com fogos de artifício pelos arrozeiros, entre eles o prefeito de Pacaraima. E tudo indica que os índios perderão a causa.

Li outros artigos e depoimentos a favor dos arrozeiros... Que triste!

Falar em soberania nacional, em internacionalização da Amazônia e em índios improdutivos é, no mínimo, um escárnio... uma ignorância sem tamanho.

Se essa é a condição, que tal criarmos uma cidade subterrânea para colocarmos, além dos índios, crianças e idosos, os improdutivos da sociedade, bem longe dos produtivos?
Ou ainda, que tal eliminarmos as casas e passarmos a morar em casulos, sem quintais ou jardins? Afinal, se não produzimos nada no fundo do nosso quintal, pra que ter tanta terra assim? Abaixo todos os sítios e fazendas que servem apenas ao lazer. Produção é a ordem!

Quanta besteira!

É o mesmo raciocínio da revista Veja ao questionar o Lula por estar usando um aparelho celular. Isto seria um luxo para um mero metalúrgico. Metalúrgico que se preza não pode querer viver bem. Índio que se preza não pode lutar com as mesmas armas dos brancos (linda a imagem da advogada índia, como Marcos bem observou). Todo mundo, assim, no seu devido lugar. E só assim para entender a ditadura, Hitler, os skinheads, a escravidão segregando as pessoas pela cor da pele. Negro passar da senzala para a casa grande? Quanta heresia! Índio querendo terra? Para quê? Nortista no sul do País? Só se for peão. Esse raciocínio é ridículo.

Há um artigo da Marina Silva, lembrando de um grande grileiro no Pará que se apossou de 5 milhões de hectares na Terra do Meio. Lembrou também das 86 pistas clandestinas destinadas ao tráfico de drogas que a PF ali implodiu e que, apesar disso, ela nunca ouviu ninguém se manifestar achando que o grileiro, com 5 milhões de hectares (e sem nada a produzir), colocaria em risco a soberania nacional.

Não viu nenhuma campanha nacional contra.

Daí vem minha indignação.
Certa vez (já não me recordo o ano), cobri a questão envolvendo Waimiri-atroaris e a mineradora Paranapanema. Conheci a área dos índios e a área cedida ao grupo. Preservação de um lado, aridez total do outro. Pareciam áreas distintas. E ainda teve gente contra os waimiri, questionando o motivo de eles terem barrado a passagem dos caminhões da Paranapanema. Mais uma vez, o tal do risco à produção nacional.

Como disse Carlos Ayres: "Índio não atrapalha o desenvolvimento".

No caso da Raposa Serra do Sol, estamos falando de mais de 18 mil índios. Em Roraima, há 06 rizicultores ocupando 14 mil hectares. Tenha santa paciência!

Só para concluir, ainda pegando a deixa da Marina Silva, em 1992 quando foi homologada a reserva dos Ianomamis, houve o mesmo tipo de manifestação (soberania, blá blá, produtividade... bla bla bla, internacionalização da Amazônia, mais bla bla):
"Passados 16 anos, a reserva abriga 15 mil índios em área de fronteira e não se tem notícia de que tenham causado qualquer dano à nossa soberania e muito menos que pretendam ser uma "nação indígena" separada do território brasileiro, como diziam à época os opositores da homologação". (Só para lembrar: quem criou um movimento separatista foi um grupo no sul do País).

As terras dos índios têm um valor ancestral, significado muito difícil de traduzir para aqueles que só ficam indignados quando lhe roubam um carro, um rolex de estimação (!) ou lhe tocam no umbigo. Pergunte a eles se permitem reduzir o quintal de suas casas ou um sítio em favor de algum produtor, de algum sem-teto. O argumento será outro, tenho certeza. Um mundinho à parte cheio de preconceitos e frases-feitas (sentem saudade da ditadura, são contra o desarmamento, a favor da pena de morte e gostam dos políticos que roubam, mas fazem).

Daí, novamente, minha indignação. Nunca vão entender o que acabo de escrever.

Clique aqui e leia a defesa do ministro Carlos Ayres.
Clique aqui e leia texto de Marina Silva sobre a questão.
Clique aqui e leia o blog “Um advogado intimista”.

domingo, 24 de agosto de 2008

Amor bastante

Essa foi, no mínimo, intrigante... Fiquei com uma vontade imensa de reler leminski, hoje. Tenho apenas dois livros dele e comecei a procurá-los na estante. Queria achar o "la vie en close", que gosto muito. Depois de achado, deitei na rede e reli... São vários hai-kais bem rápidos de se ler...
Ao final do livro, parei para reler sua biografia. E não é que hoje ele estaria aniversariando? Já havia esquecido que ele era virginiano e do dia 24 de agosto.
Salve, leminski!

Deixo um hai-kai dos que mais gosto

AMOR BASTANTE

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

p. leminski - La vie en close (ed. Brasiliense, p. 95)

Valei-me, Deus


Recebi um e-mail dando conta da "tradução" de uma das músicas mais conhecidas de Djavan: Flor de Lis. A mensagem fazia-nos crer que o cantor teve uma "mulher chamada Maria; os dois teriam uma filha que se chamaria Margarida, mas sua mulher teve um problema na hora do parto e ele teria que optar por sua mulher ou por sua filha... Ele pediu ao médico que fizesse tudo que pudesse para salvar as duas, mas o destino foi duro e a mulher e a filha faleceram no parto".
O e-mail circula com o adendo: "Agora é possível 'sentir' a letra da música. Conhecendo esta breve história passamos a ouvir a música sob novo contexto, entendendo como a dor pode ser transformada em poema e arte".

Embora trágica, a "verdadeira" história, do meu ponto de vista poético, havia estragado a letra... Não conseguia ver como "poema ou arte" o encaixe de tão estapafúrdia história com os versos de flor de lis. E achava ainda mais descabido um letrista como Djavan transformar um drama como esse em um samba-canção.

Cheguei à assessoria e lá a história ganhava ares de verdade verdadeira. "Poxa, fiquei emocionada agora, lendo a história por trás da música flor de lis", disse minha colega de trabalho, mais ou menos nesses termos, ao ler o mesmo e-mail. A história estava se alastrando.
Hoax, é o termo usado para isso. Alguém, sem nada o que fazer na vida, inventa essas histórias e as repassa como verídicas.

A assessoria do DJavan, no entanto, informa que a história não é verdadeira."Coisas da internet", conclui a assessoria.

Ufa, ainda bem...

A chuva

O tempo fechou... Parece noite, às 15h da tarde. Mas a sensação é boa, embora a chuva tenha lavado e levado as flores do chão.

sábado, 23 de agosto de 2008

Agosto chegando ao fim...


Lá se vai mais um mês de agosto... mês de boas lembranças, mas também do meu inferno astral...
Hoje, o pátio lá de casa tava lindo... As flores da Loucura, a planta, coloriram o chão de rosa... parece até primavera... é setembro chegando... Que venha, então, sempre saudoso... sempre futuro...

domingo, 17 de agosto de 2008

Leão

Hoje é o aniversário da minha mãe, a dona Neusa ou o "sa" do meu nome (o Wil é do pai, é claro). Leonina que só ela... E quem conhece um leonino sabe do que digo... (não é, Elaíze?) Teve almoço, parentes aparecendo aqui por casa e o Fernando, meu afilhado... Lindo que só... Já falei sobre afetividades em família por aqui e vou falar mais uma vez: não sei por que sempre que tenho de abraçar minha mãe pra dar ou receber os parabéns me dá uma vontade danada de chorar. E choro, sempre! Alguém poderia me explicar que fenômeno é esse? Não sei... talvez a emoção verdadeira... Talvez porque seja chorona... talvez porque tenha aprendido a ser assim tb... (minha mãe é chorona, meu tio quase sempre chora lembrando histórias marcantes)... Não sei... muitos talvez...
Mas tenho certeza de que não gostaria mais de chorar... é constrangedor, às vezes. Mas não consigo...
Enfim, não vou falar mais porque já estou começando a chorar de novo...
Ela é tudo... só isso...

domingo, 10 de agosto de 2008

Vigília

"E eu que não sabia que o amor requer vigília". (André, em Lavoura Arcaica).

Um pouco de Raduan para quem poucas palavras bastam para todo o entendimento...

Catita

Hoje é o Dia dos Pais... e anteontem, sexta-feira, fiquei em casa pela manhã... Foi quando pude olhar direito pras coisas de casa... Vi, então, meu pai saindo pelo portão... Ainda não tinha percebido como os cabelos dele já estão quase todos brancos...

"Eu vi o tempo", diz a música... Fiz as contas e vi mais uma vez o tempo: ele vai fazer 70 anos no próximo ano ... Que bom!

Mas somos estranhos, aqui em casa. Não somos muito de demonstrar afetos fáceis. Abraços? Beijos...? É sempre uma dificuldade. É estranho, mas nos amamos assim, desse jeito...

Desculpem o mau jeito. É isso...

domingo, 3 de agosto de 2008

A menina e os gatos


Acho que posso chamar de destino (sempre volto a ele) o começo de nossa amizade. Eu estava um ano adiantada dela e pela lógica de minhas amizades dificilmente seríamos amigas. Todas elas, as minhas amigas (que sempre vamos chamar de meninas), diga-se de passagem, tinham o meu perfil: eram tímidas ao extremo e, assim, acabamos fechadas em um círculo de meninas tímidas**, sem namorado, virgens (desculpa meninas, contei), na faculdade (o ICHL), mas com muitos sonhos em comum.

Não consigo me recordar (é a idade, eu sei) de como nos conhecemos, mas minha memória aponta para o Centro Acadêmico de ComunicaçãoSocial, o CUCOS. Éramos as revolucionárias de batom, expressão cunhada por ela. Na primeira reunião, sentei ao seu lado (ou ela sentou do meu) e daí começamos a reunir as semelhanças: gostávamos de cinema, Woody Allen em especial (saudades do Cine Qua Non); literatura (líamos Simone de Beauvoir por pura "metidez") e achávamos que ainda poderíamos viver o maio de 68 na Manaus do final da década de 80. Ela era trotkista e lá me apresentou a revolução. Dias de leituras de esquerda e "lutas" até sobre a moto do tio, também trotkista. Ela andava mais com a nossa turma do que mesmo com a dela...

O tempo foi passando... fui pra São Paulo e nos correspondíamos no modo antigo: cartas chegando pelo Correio, nada de e-mails que hoje nos aproximam mais... Eram cartas que falavam das novidades de cada uma, dos novos amores, da separação... das dores...

Voltei pra Manaus e nos encontramos novamente nas redações de jornal. Continuamos nossas sessões de cinema, de encontros só pra sentar num banco e falar da vida de quem passava pela frente...

Depois foi a vez de ela ir pra São Paulo. Tempos de ICQ, de namorados virtuais e de outras paranóias...

Tempos depois ela retorna a Manaus e ganha uma casa (looonge que só vendo) e teve muitos filhos. Adotados, é claro; felinos, é claro, mas tenho certeza que o sentimento é o mesmo do de um filho.

Anteontem, nos encontramos e até almoçamos juntas em um restaurante fdq chamado Corsário... Tudo isso sem combinar nada... E tem sido assim... sem marcar tem dado mais certo... Falamos, pra variar, das rugas, cabelos brancos e gorduras localizadas e espalhadas... Da intolerância à burrice, hipocrisias e tudo o mais...

Ontem, foi seu aniversário e me deu vontade de falar dela e de nossa amizade...

Elaíze, Lalá, para alguns, deu agora pra voltar ao ICHL sem suas amigas... eu, Tereza e Liege. Que impertinência! Mas ponto pra ela: estudar nos renova e tenho certeza de que ela se sente assim, hoje.

Queria te dar os parabéns de modo diferente... dizendo que é muito bom ter uma amiga como você. Apesar de nossas idiossincrasias (desculpa a palavra, aí) sinto saudade daquele tempo, mas sei que vc está por perto.... embora longe.

Ah... vão dizer, como sempre: sabia que elas tinham alguma coisa... A maledicência (é assim que escreve?) de sempre... e temos mesmo... uma grande amizade... mas com meninos no meio (ops, nada de orgias, pessoal).

* O passar do tempo deixa a gente assim, saudosistas e piegas...
Engraçado como São Paulo passou por nossas vidas...? primeiro eu e Liege; depois a Elaize e depois a Tereza (não sei qual foi a ordem certa).
** só a timidez pra explicar porque meninas bonitas e inteligentes não tinham namorados naquela época... =))
*** Ah... ela também conhece o desenho do sapinho que canta Hello, my baby...
**** E quando começamos a dizer "naquela época"... humpf...
***** Desculpa pelo desenho acima... são minhas primeiras experiências com uma tablet. Vou melhorar... O desenho dos gatos foi pego na net mesmo...

domingo, 27 de julho de 2008

Pobre outra vez...

Não sei por que meus números não foram sorteados na mega-sena... Tsc... fiz tantos planos... tantos sonhos... Foi tudo lá pra Minas e Rondônia... tsc...

Mas não vou desistir... quem sabe... um dia...

Fizemos um bolão lá na assessoria... Mas não posso contar as estratégias (e devaneios) caso ganhássemos... muito hilário...

Só rindo mesmo...


tsc...

sábado, 26 de julho de 2008

Vida de cachorro

Tadinha da Xuxa, a cadelinha que teve seus dias de fama. Ainda prefiro a história que criaram para ela, como heroína. E apesar da mentira, ela não deixa de ser heroína ao ser uma possibilidade de "solução" para a dona. Nem vou entrar aqui no mérito ou desmérito da dona. A história é triste de qualquer maneira.

Adoro cachorros, todo mundo sabe. Às vezes, Gigi (uma das três cadelas de minha vida) sobe na rede (prefiro navegar na rede) e parece querer ver o que teclo. Não sei como tem gente com coragem pra maltratar animal.Lembrei também do filme "Minha vida de cachorro", de Lasse Hallstrom (deve ter algum trema por aí), que comentamos outro dia, em uma reunião de amigos. Se puder, veja esse filme. Choro demais ao assistir, mas talvez você não seja tão melodramático como eu. É lindo, vale a pena.

Pequenas epifanias

Ontem, fui "apresentada" a um site fantástico. Tudo bem, fantástico pra mim que adoro isso tudo. É o site do Alarcão, um ilustrador que me emocionou ao ver seus trabalhos (a ilustração acima é dele). E não consigo explicar, e talvez nem devesse, o que sinto quando vejo alguma coisa que me move por dentro. Não é estranho, é um sentimento muito legal. E cá estou de novo às voltas com meus livros sobre ilustração e aquarela. Vou desenhar hoje. É muito bom...

E vou criar um diário gráfico, aceitando a sugestão do Alarcão.

O título deste post ("Pequenas epifanias") vem de uma crônica do Caio Fernando Abreu, que gosto muito: "miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia". É assim que ele descreve o significado de "pequenas epifanias".
É isso...

Se você não tem nenhum livro dele, conheça Caio Fernando Abreu em gotas.
http://www.caiofernandoabreu.blogspot.com/

Meu plano de saúde é do tipo SUS

Passei duas semanas com esse sentimento: acho que fui enganada. Meu plano de saúde, que pago todos os meses, sem falta e em dia, parece, em muito, com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Podem dizer que estou exagerando e que pareço até aquele antigo personagem do saudoso Chico Anísio (digo saudoso porque hoje ele está "engavetado" na Globo) que chorava misérias sempre que encontrava um primo pobre. É como se eu estivesse reclamando por ter a chance de ter um plano de saúde.
Mas veja se é mera coincidência:

Tento marcar com um gastro, aflita como toda paciente. Ligo para clínica e recebo a seguinte informação:

"Só tem consulta para o próximo mês, senhora".

Penso: “Até lá já morri (exagero, mas nunca se sabe) ...

“Tudo bem, pode marcar aí.”
E haja espera.

Depois do sonhado e esperado um mês, recebo um telefonema:
"Senhora, infelizmente o "dotô" não vai poder lhe atender hoje. A senhora quer remarcar sua consulta para a outra semana?
(Talvez ela já estivesse até falando com uma assombração a essa altura, mas por graças de Deus, ainda estava vivinha da silva e pude responder).

Que jeito! Já esperei um mês mesmo. Mais uma semana...

É por ordem de chegada. Mas, se a senhora quiser ser a primeira atendida, chegue às 6h. Talvez a senhora consiga ser atendida às 9h.

TALVEZ??

É que o "dotô" faz primeiro uma visita a todos os pacientes dele. Não temos como saber a hora que ele chega...

Então tá, né... tudo bem... vou fazer isso, então...
(o médico, até então, valia o sacrifício)

Confesso que não cheguei às 6h. Cheguei por volta das 7h, mas fui a primeira! Acredite. Imagine a cena do filme Carruagens de fogo e aquela música tradicional, eu em câmera lenta chegando esbaforida e puxando a famigerada “senha”. Nem acredito. Consegui! A primeiríssima.

Sente lá e espere.
Esperei.

Por volta das 8h30 ( estava chegando a hora), um primeiro aviso:
Os pacientes do "dotô" fulano (não digo o nome pela responsabilidade do direito de resposta e porque não tenho como ouvir o outro lado, embora isto seja apenas um blog). Ele só vai poder chegar às 10h30 porque ele está em uma cirurgia etc. e tal bla bla bla... Quem quiser desmarcar ... bla bla bla...

Desmarcar? Depois de um mês e uma semana? Depois de conseguir ser a primeira?? Vou esperar... Era uma questão de honra.
E esperei... ouvi muitas histórias. De pessoas que esperaram até 6 meses para serem atendidas; histórias de quase-milagres e deu para suportar a espera. Uma coisa ninguém ali poderia discordar: todos eram, de fato, pacientes naquela sala.

Por volta das 10h30, mais uma voz ecoa na sala de espera:
Os pacientes do "dotô" fulano. É o seguinte: ele passou a madrugada em uma cirurgia muito delicada e não tem condições físicas de chegar aqui às 10h30. Deverá chegar por volta das 11h/11h30... bla bla bla bla... Se alguém quiser desmarcar ... bla bla bla...

E, assim, fui atendida por volta das 12h... Achei um desrespeito, mas pra quem podemos recorrer, reclamar? E não pense que foi só isso... Nos outros dias (teve uma bateria de exames) tive outros dias de longas esperas (é melhor levar palavras cruzadas). Gostei de um senhor indignado que revelou pra todo mundo na sala de espera:

“Isto é uma vergonha! Pra esperar desse jeito, aceitar essa falta de respeito, é melhor ir para o SUS! disse o senhor indignado.

É, senhor, realmente, já não sei mais o que é pior...

terça-feira, 22 de julho de 2008

In rainbows


Foi presente... presentão...

E a música fica na cabeça...
You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds


domingo, 20 de julho de 2008

LIBERDADE!



Ontem, vi uma cena que me trouxe vários pensamentos em alguns segundos. Estava no carro, de carona (Marcos dirigia) e, por isso, deu para ver, na velocidade do veículo, uma senhora caminhando sozinha na rua com um saco nas costas, como se estivesse de mudança. Pensei: que solidão!

Ela tinha uma imagem de retirante, daquelas imagens que aparecem nos livros e quadros que retratam o sofrimento da seca nordestina. Talvez por isso tenha surgido em minha mente a imagem de solidão. Ela estava só, sem a tradicional família daqueles quadros.

Mas a imagem da senhora também lembrava os loucos (os do imaginário) que caminham pela ruas de Manaus. As roupas dela tinham aquela cor que só os que moram na rua conhecem: um cinza misturado ao preto que parece se refletir pela pele. É como se eles vivessem em monocromia (à exceção de Bispo do Rosário e o Profeta Gentileza, na foto acima).

Da primeira imagem da solidão, me veio outra, ainda mais rápida: a senhora tinha os cabelos longos, grisalhos e soltos. Ela parecia ter vaidade. E por que não ter? Ela estava bonita. Da imagem de solidão, fiquei pensando na de liberdade! Ela parecia ser livre, só não sei se feliz.

"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."

Romanceiro da Inconfidência - Cecília Meireles

sábado, 12 de julho de 2008

Coragem


Ouvi hoje uma frase que achei bem interessante, atribuída ao Glauber Rocha:


"Mais que talento, a arte precisa de coragem!".
Vou pensar nisso...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Paris é uma festa...


Fui lá ver... mas fui a trabalho... o que é ainda melhor. Muitas histórias engraçadas, algumas irritantes até. Valeu pelo registro como da foto acima: um por do sol em Paris-tins, parafraseando um título do Hemingway (não sei se tá certo o nome) de que Paris é uma festa!

Agora colocar os fotógrafos em um fosso no bumbódromo é coisa de louco... deve ter sido angustiante... que idéia essa... heim...

domingo, 22 de junho de 2008

De cortar os pulsos...

Se vocês pudessem ouvir a música que escuto ao longe...
Domingo... à tarde... música triste...

alguém tem uma gilete enferrujada por aí ... ?

Paralamas...

Estávamos lá... fazia um calor imenso e as pessoas começavam a chegar aos montes para o show do Paralamas do Sucesso... Achamos um canto providencial e pudemos assistir com tranquilidade... Herbert, Bi, Barone e cia... Cantaram músicas novas, mas as antigas, como era de se esperar, estremeceram a arena. Emocionante... Ficamos perto de um grupo de pessoas bem bacanas: na verdade, eram só homens, daqueles que gostam de afirmar que fazem parte de um grupo: vestiam preto, alguns com cabelos compridos, se abraçavam, pulavam e não se cansavam de chamar o herbert de o "último poeta". Chegaram até a nos pedir desculpas se estavam incomodando... Não estavam.

"É Rock nacional, porra! gritavam.

Mas o bom mesmo foi poder ouvir um mundinho de gente repetindo as letras do "último poeta". Imagino que deve ser emocionante para o autor ouvir o coro de centenas de pessoas cantando suas músicas... E que músicas!

Caleidoscópio
Não é preciso apagar a luz
Eu fecho os olhos e tudo vem
Num Caleidoscópio sem lógica

Eu quase posso ouvir a tua voz
Eu sinto a tua mão a me guiar
Pela noite a caminho de casa...

Quem vai pagar as contas
Desse amor pagão
Te dar a mão
Me trazer à tona pra respirar
Vai chamar meu nome
Ou te escutar...

Me pedindo pra apagar a luz
Amanheceu é hora de dormir
Nesse nosso relógio sem órbita
Se tudo tem que terminar assim
Que pelo menos seja até o fim
Pra gente não ter nunca mais
Que terminar...

*ah... a Elaíze, pra variar, desistiu de ir, no meio do caminho... humpf!

O céu de ícaro e a música inteira

TENDO A LUA
Os Paralamas Do Sucesso
Composição: Herbert Vianna; Tet Tillett

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim

O céu de ícaro tem mais poesia que o de galileu
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.

Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.

A lua


Foi engraçado... Passei a semana com imagens, frases e músicas sobre a lua passando pelo meu caminho... Coincidência ou destino? No noticiário, no início da semana, a informação dava conta de que os astronautas agora terão uniformes na cor laranja e mais leves que os tradicionais. Fiquei imaginando um ponto laranja, lá longe na lua... Gosto muito dela... uma companhia nas noites que você consegue olhar para o alto e dizer "Salve, Jorge"...Me deu vontade de um dia pisar por lá... "Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade"... acho que é essa a frase... mas prefiro a poesia do Herbert Viana pra ela, encerrando a semana la luna:

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu...

domingo, 15 de junho de 2008

Modernidade nacional

Aí vai mais um texto indignado, mandado por e-mail. Como foi postado no blog do Rogélio Casado, não vejo problema de o tornar público neste espaço também. A autoria é do Marcelo Seráfico:
"É assombroso o volume de inverdades reunido para rejeitar um direito conquistado pelos povos indígenas e para afirmar a violência contra eles.
O Ministro, a pretexto de garantir a soberania, passa por cima de uma série de princípios outros da Constituição.
Talvez se traduzíssemos soberania como propriedade privada, conseguiríamos compreender com mais objetividade o que povoa as idéias de alguns dos guardiões da Constituição.
Para serem conseqüentes com as críticas que fazem, aqueles que se opõem à demarcação da TI Raposa Serra do Sol deveriam vir à luz e começar a defender a revisão da propriedade das grandes porções de terra, na Amazônia, de propriedade de grupos nacionais e estrangeiros. Afinal, se o o "valor de uso" que a terra tem para os indígenas põe em jogo a soberania, que dizer do "valor de troca" dela para aqueles que a usam como reserva de valor?
Se eles partissem para essa defesa, veríamos uma discussão aberta e muito interessante, na qual aqueles ocupando posições decisórias importantes no Estado poderiam expor, sem peias, quais os princípios estão, de fato, em jogo na TI Raposa Serra do Sol.
Talvez valha, ainda hoje, a observação feita por um barbudo senhor que viveu no século XIX a propósito dos eventos que levaram ao poder um certo Bonaparte. Dizia ele que num parágrafo a Constituição francesa assegurava direitos, conquistas, e no seguinte os subtraía.
Alguns ministros do Supremo, no Brasil, mais de 150 anos depois, parecem querer nos mostrar como isso acontece no curso do processo histórico.
O que fica claro, por enquanto, é que a vida dos povos indígenas, no País, pode ser medida, sem maiores problemas - morais, jurídicos, políticos - em sacas de arroz.
É dessas ironias da história: nascemos pro mundo moderno como uma mercadoria - o pau Brasil -, e os poderosos de Pindorama, guardiões da "tradição", sacam do coldre jurídico as armas necessárias à manutenção da integridade da nação, da soberania, ainda que para isso seja necessário sacrificar parte de seu povo. É a fórmula mágica: no limite, a pretensão desses que se voltam contra a TI Raposa Serra do Sol é a de provar, juridicamente, que o problema do Brasil é o povo!! Eis aí a modernidade nacional!! "

Marcelo Seráfico

Perguntar não ofende...

Marcos pergunta apropriadamente:

Por que o branco quer tanta terra?

Alguém já ouviu essa pergunta por aí? Acho que nem vamos ouvir...

Ela vai ficar ecoando por aqui... ao menos...

Barbárie!

Vocês viram... todo mundo viu. Do Fantástico ao Jornal Nacional, da Veja à Isto É: o enfoque, a imagem e o conceito de selvageria, de barbárie que a mídia passou a adotar para mostrar indígenas atacando um "indefeso" engenheiro da Eletronorte.
Não venho aqui defender qualquer tipo de violência e, é por isso mesmo, que não posso aceitar sem indignação um outro tipo de violência: aquela que não nos permite ver o que, de fato, está acontecendo. A desinformação, portanto, é tão violenta quanto as ações do tipo.
Uma amiga jornalista, a Elaíze Farias, me encaminhou mensagem, alertando para a cobertura que a mídia vem fazendo... e me passou em boa hora...
Relato, assim, os fatos que todos têm direito a saber e que no meu entendimento são muito mais graves do que o episódio envolvendo o engenheiro, já que se trata da morte de adultos e até de crianças. E mais ainda não foram repetidas à exaustão... Por que será?

O que você não viu
"* No dia 05 de maio, na terra indígena Raposa Serra do Sol, 10 índios foram feridos por ocasião de um ataque com bombas e tiros de espingardas, numa ação violenta promovida por pistoleiros encapuzados a mando do prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartieiro. Apesar da
forma covarde e violenta do ataque, a maioria dos meios de comunicação tratou o episódio como se tivesse havido um confronto entre indígenas e seguranças do prefeito invasor da terra indígena.

*No Maranhão, há cerca de duas semanas, dois homens encapuzados mataram uma menina de seis anos do povo Guajajara. Em uma moto, eles invadiram a aldeia Anajá, na terra indígena Araribóia, próxima ao município de Arame. Os criminosos atiraram contra uma família que estava num centro comunitário, atingindo a menina na nuca, que morreu na hora, e deixando o irmão da mesma ferido.

* Na sexta-feira, dia 23 de maio, o fato se repetiu. Dois motoqueiros, igualmente encapuzados, abordaram um casal de indígenas Guajajara que caminhavam à beira da MA-006, sentido Balsas/Grajaú, e dispararam tiros, ferindo-os gravemente. Nos dois casos, podemos supor que os agressores estavam a serviço de invasores da terra indígena, interessados na exploração madeireira. Nada foi feito pelas autoridades federais para apurar os fatos e as notícias não entraram no rol de divulgações e de repetições televisivas incansáveis e nem foram veiculadas em jornais de grande circulação. Por que será?

* No estado do Mato Grosso do Sul, somente neste ano, foram assassinados 14 Guarani-Kaiowá.

* Em 2007, 92 indígenas foram assassinados em todo o Brasil. Muitas das vítimas lutavam pelo direito à demarcação de suas terras."

(trecho do texto assinado pelo vice-presidente do Cimi, Roberto Antonio Liebgott)


sábado, 14 de junho de 2008

Música no carro... e na net...

I can´t change you... I just love you the way you are...
the way you are...
( é isso...)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Nem sempre diário

De volta à rotina... corre-corre... difícil passar por aqui todos os dias... mas vou tentando...

domingo, 1 de junho de 2008

Por que azul?




Destino. A idéia inicial era se chamar apenas "Uma janela", mas alguém teve a idéia primeiro... Acrescentei o azul pelos vários significados... do blue de sentimento, ao azul do céu... do azul de mil significados... ao azul geral do Penafort...


Mas em algum lugar do mundo sempre haverá uma janela azul...

primeiros escritos

Não resisti. Eis-me aqui, anunciando minha janela para qualquer lugar do mundo. Digo anunciando porque, na realidade, todo diário se traduz em uma vontade íntima de que alguém, algum dia, em algum lugar, irá ler suas palavras guardadas em um tempo e tentará lhe ver com outros olhos. Ou mesmo o autor poderá se re-ver em outro tempo, com outros olhos e outras maneiras de ver o mundo. Não sei... Será que ele será descoberto algum dia?

* A foto que abre minha janela náo poderia ser outra: Clarice Lispector, capa do livro "Aprendendo a Viver" (Rocco). Não é linda a luz que vem da janela?