quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009


Ganhei três agendas e a promessa de que tenho de usá-las. Nem que seja uma delas. Amanhã já é 2009 e espero rabiscar cada página com disciplina. É difícil, eu sei, mas é preciso.

Não sei se estou ficando chata, mas às vezes acho um saco as repetições e as obrigações. Obrigação de se divertir na virada do ano; obrigação de estar alegre; obrigação de ver fogos (não vejo nem graça nisso);obrigação de estar com roupa nova; comer lentilhas ou coisas assim... Hoje, até recebi duas mensagens iguais pelo celular... é a obrigação das pessoas em desejar feliz ano novo, na velha maneira de ser...

Eu sei, estou ficando velha e ranzinza... Mas confesso que gosto de mentalizar coisas boas na hora da virada. Uma prece, um pensamento bom. E aí vejo que as pessoas não estão de todo erradas; vejo a necessidade dos ritos de passagem que servem para nos renovar. É isso que desejo a todos: uma maneira nova ou diferente de fazer as coisas, de ver o mundo... Tentativas de inovar, recriar... Sair da rotina.

Uma das agendas que ganhei já está saindo da minha rotina: tem os desenhos e frases do livro O Pequeno Príncipe. Vou ter pena de escrever, mas vai valer a pena.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Toin

Foi um pedido, por isso tenho de postar aqui na minha janela algum virundum, aquelas expressões esdrúxulas que entendemos em uma música no lugar da frase original. O advogado intimista publicou vários e agora pede para que façamos o mesmo para que o mico seja, então, coletivo.

Não me recordo de muitos, mas lembro daquela música do Jorge Ben que dizia o seguinte:

Você com essa sua mania sensual...
de sentir e me olhar...

E no refrão, a frase:

Ai, ai se naquele dia você foi tudo, fez de mim um anjo...
Ai ai...
pro céu, pro céu, pro céu... eu quero ir e vir pro pro céu... pro pro céu...

Como não sabia o título da música achei que fazia o maior sentido... Ora, você fez de mim um anjo, nada mais natural que ele quisesse ir pro céu... Até que um dia o advogado intimista me corrigiu...: É Brussel... Ive Brussel.. Eu quero Ive Brussel...

Que coisa mais sem graça... Sei lá eu quem era Ive Brussel...? E até hoje, não sei... Humpf...

O outro virundum é o mais ridículo de todos, mas lá vai: Música do João Bosco, Nação, aprendido ainda na infância (pra justificar a infâmia), na voz da minha mãe:

Dorival Caymmi falou pra oxum
Concilas toin boa companhia
o céu abraça a terra deságua o rio na Bahia

Tudo bem... tá rindo, né... É pra rir mesmo... O que cargas dágua seria concilas toin... Vá saber... na mente de uma criança tudo pode acontecer principalmente em uma letra que falava de palavras difíceis como oxum, jêge, labar água...

Concilas poderia ser alguma palavra em espanhol...

Mas o Dorival estava mesmo era na boa companhia do bendito Silas...
Segue o original

Dorival Caymmi falou pra Oxum:
Com Silas tô em boa companhia
O céu abraça a Terra,
Deságua o Rio na Bahia
Dorival Caymmi falou pra Oxum:
Com Silas tô em boa companhia
O céu abraça a Terra,
Deságua o Rio na Bahia
Jêje
Minha sêde é dos rios
A minha cor é o arco-iris
Minha fome é tanta
Planta flor irmã da bandeira
A minha sina é verde amarela
Feito a bananeira
Ouro cobre o espelho esmeralda
No berço esplêndido
A floresta em calda
Manjedoura d'alma
Labar água, sete quedas em chama
Cobra de ferro Oxumaré
Homem e mulher na cama [...]
...
É isso...

sábado, 20 de dezembro de 2008

O beija-flor e a formiga

Minha mãe tem uma sensibilidade incomum. Ela faz da nossa casa um universo mais do que particular. Por isso, dei a ela, em seu aniversário, uma máquina fotográfica. Acho que ela não entendeu na hora. Não sei se gostou, mas descobriu, com o tempo, minha real intenção: deixar as lentes da máquina captarem aquilo que ela sempre reclamou: "Ah, se tivesse uma máquina...".

A primeira foto dessa leva de flashs do cotidiano veio com o pouso de um beija-flor no varal de casa. A seqüência mostra algumas fotos tremidas, as tentativas de uso do zoom, o enquadramento de partes do pássaro, até que, finalmente, o beija-flor aparece em toda sua plenitude... Quietinho no varal, como se quisesse sair na foto.

Da cumplicidade entre fotógrafa e beija-flor, há o registro até do movimento das asas em despedida... Aqui publico somente duas dessas fotos. A última sessão de fografias, ela não conseguiu captar direito e talvez não desse mesmo: uma formiga carregando algo pra sua "morada". Ela tentou registrar e filosofou: "Quando vejo a luta de uma formiga, carregando sozinha um alimento ou pedaço de madeira pra dentro da casa dela, não consigo pensar em matá-la".

Ah, se existisse uma máquina que ajudasse os outros a ter esse mesmo olhar...

Natal tem dessas

Ontem foi daqueles dias que parecem impregnados por um tempo... o tempo do Natal...

Fui ao Centro, ao banco. Saí por volta das 13h... Estava só... Já não era mais o Centro dos dias comuns. Por incrível que pareça, não havia rush. O sol estava frio e, aproveitando o tempo, liguei o som do carro. Estava tocando Um trem para as estrelas... Cazuza passeando comigo pelo Centro...

Nostalgia...


São 7 horas da manhã
Vejo Cristo da janela
O sol já apagou sua luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas dos pontos de ônibus
Procurando aonde ir
São todos seus cicerones
Correm pra não desistir
Dos seus salários de fome
É a esperança que eles tem
Neste filme como extras
Todos querem se dar bem

Num trem pras estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas ...

* Um trem para as estrelas - Cazuza e Gil

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Aos visitantes



"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim".

Caio Fernando Abreu



*

domingo, 7 de dezembro de 2008

Interdição

Estava assistindo, ontem, ao filme "A dupla Vida de Veronique", de Kieslowski. Mas o que me chamou atenção, além do próprio filme, é claro, foi uma palavra dita pelo diretor nos extras do dvd. Kieslowski falava do roteiro e de algumas interdições da vida que são iguais em qualquer lugar do mundo: na Polônia ou no Amazonas (essa adaptação é minha)...

Essa palavra interdição (inter + dito) me tocou fundo, talvez pelos dois filmes dele que assisti nessas duas semanas: além de "Dupla vida", também havia assistido, semana passada, ao "Não amarás"... Os dois, na realidade, falam de amores verdadeiros, mas ao mesmo tempo impossíveis.

Em Não amarás, um rapaz tímido cerca sua vida com um romance real (pra ele), mas impossível na vida de fato. Ele se apaixona pela vizinha do prédio à frente do seu, observando seu dia-a-dia a partir de uma luneta em seu quarto. Todas as suas ações, a partir daí, são conduzidas por esse amor: escolhe trabalhar no correio para ter acesso às cartas que ela trocava com um amor que se foi e também para poder se aproximar dela, quando ela ia ao Correio; depois, decide ser leiteiro para poder entregar o leite na porta da amada. Em algumas vezes, até altera o curso da história da vizinha, como se quisesse mostrar que aquilo tudo era real. Esse real, no entanto, se esfacela quando a amada descobre tudo e reduz o amor do rapaz ao que ela achava setratar somente de desejo sexual. Isso foi a morte para ele, mas não irei contar o final pra alguém poder ver e ter sua própria leitura.

Em "A Dupla Vida de Veronique" há também outras interdições. A de duas personagens que nascem no mesmo dia, mas em lugares diferentes. Elas sentem uma a presença da outra, mas não se conhecem de fato; o filme fala também de um amor real e quase impossível. Veronique se apaixona por um titereiro, aquela pessoa que manipula os personagens em um teatro de bonecos. Não se trata mais de uma personagem tímida (até aparecem cenas de sexo com o namorado), mas de uma personagem que descobre um outro amor possível.

Não sei de que maneira, mas o entreolhar dos dois faz com que o titereiro, mesmo em outra cidade, consiga levar Veronique até ele em um jogo de correspondências e surpresas. É interessante quando Veronique vira para o pai e diz que está apaixonada: o pai pergunta se é correspondido e ela diz que o amado não a conhece e nem ela mesmo conhece o amado, mas sabe que algo marcou no dia em que o viu.

Gosto de pensar nessa possibilidade: de que é possível amar nas entrelinhas; de que é possível amar de outras maneiras e não falo só dos amores do coração, dos amores da carne. Quando desenho, quando leio ou vejo filmes, minha alma fica mais leve... porque esses amores também tornam possíveis os interditos.

* Kieslowski morreu em 1996, de infarto. Não sabia... uma pena...

De escorpiões e amizades

Parei pra pensar: Selma, Tereza, Marcos, dona Terezinha e Aline. O que eles têm em comum, além de me conhecerem? São todos de escorpião, o signo. Estou cercada por eles, portanto. É claro que conheço muito mais escorpianos, mas esses aí são de minha convivência diária.

Selma aniversariou no dia 06 de novembro. É minha irmã do meio, com se diz. Sempre pareceu a mais forte e segura das três filhas de dona Neusa e "seu" Wilson. E acho que é mesmo ou então o signo ajuda um pouco a ser a mais decidida... É assim que vejo.

Tem tb algumas paixões e conviccções: vôlei, poesia, Rafael Nadal e os cachorros. E foi a cena dela com um de nossos cachorros (ela não gosta que digamos nossos porque ela se acha a única dona) que me marcaram e que talvez traduza um pouquinho do que ela é: em um dia de grandes decisões, ela entra em casa com uma cadela no colo. Eu olhava pela janela. Estava desesperada, mas falava baixinho com a cadela, como se quisesse tranquilizar o animal. Foi para o fundo do quintal e colocou o drama pra família. É que, antes dessa cena, Gigi, que antes não tinha nome, foi encontrada agonizando na rua, em frente de casa. Estava muito mal. Minha mãe decidiu ajudar. Deu água, comida e um pouquinho de carinho.

A cadela se recuperou, mas ainda tinha problemas. Não sabíamos do que se tratava. Então, Selma levou a cadela ao veterinário e o diagnóstico era o de que a cadela teria de ficar em uma espécie de quarentena.

Como já tínhamos outros dois cachorros, ficamos com medo de a cadela passar o problema a todos eles. Foram dias de mais desespero. Até eu fui atrás de algum quarto pra alugar. Selma cuidaria da cadela nesse quarto. Sei que alguém ao ler esse texto vai achar loucura, porque foi assim que as pessoas me olhavam quando dizia que estava atrás de um quarto, um canto pra minha irmã cuidar da cadela. Mas quem gosta de animais sabe do que estou falando e me entende bem. É o que importa.

Não achamos o quarto, é claro. Ninguém alugaria ou emprestaria. O jeito foi dividir o quintal ao meio. Mandamos construir uma cerca e uma casinha ao fundo. Gigi ficou sendo cuidada pela Selma naquela alemanha oriental particular.

O drama daquele dia em que ela voltou do veterinário é que Gigi estava se recuperando, mas não poderia ficar muito tempo no veterinário. No entanto, ela também não poderia ficar em casa porque contaminaria os outros cachorros. Foi aí que surgiu em família a idéia de sacrificar o animal. Ninguém sabia, na realidade, se Gigi se recuperaria de fato.

- Nem pensar! Foi a minha decisão, sabendo que era isso que Selma queria ouvir (ou talvez todos ali). Disse: "Já fizemos tanto bem pra essa cadela até aqui, não podemos reverter esse bem em mal. E aí veio a história do quintal e da casinha. Gigi ficou boa e derrubou nosso muro de Berlim... Mora em casa, com a gente... E assim continuo aprendendo muito com ela.

A Tereza é a outra escorpiana que apareceu, assim nessa ordem, na minha vida. Estudamos juntas na faculdade, só não digo a quanto tempo, por motivos óbvios. Hoje trabalhamos juntas. Uma amizade que já dura muitos anos pelo respeito que temos uma pela outra. Não existe cobrança de nossa parte, aquelas cobranças que amigos fazem. Apenas somos amigas. E ela não gosta muito de se expor em blogs ou orkuts da vida... Paro por aqui, portanto sobre essa escorpiana...

O Marcos foi o terceiro escorpiano a aparecer na minha vida. Mas a história dele já contei aí embaixo. Ele nem gosta mesmo dessas histórias de astros e horóscopo.

Dona Terezinha é a mãe do Marcos. Nascida no dia 02 de novembro, no dia dos Finados, é uma pessoa maravilhosa com uma história de vida incrível. Ás vezes, ela é muito direta, sem rodeios; outras vezes, é só sentimento.

Aline surgiu bem depois. É a escopiana do dia 17. Ela tem me ensinado muitas coisas e gosto de ouvir sua opinião e comentários. Funcionamos meio como espelho uma da outra quando queremos saber se o que estamos fazendo está indo pelo caminho certo. Aline apareceu na minha vida e eu na dela por algum arranjo do destino. Descobri isso quando um dia ela virou pra mim e perguntou: "Você estava bem, ontem? É que eu fiquei com uma vontade imensa de te ligar, como se você precisasse de ajuda."E não é que eu precisava naquele ontem? De alguma maneira, ela pressentiu que eu estava down. Agora, ela aguarda o nascimento de mais um amazonense (ela é carioca) na sua vida...

E é isso.