Se há uma coisa que não consigo fugir é da indignação. Não consigo ler os comentários contrários às terras contínuas da Raposa Serra do Sol e não ficar indiferente. Primeiro pela infantilidade dos argumentos; depois, pela impotência em saber que, ao serem de Direita, jamais poderiam pensar de maneira diversa.
Do mesmo modo, tenho medo. Li a argumentação do ministro Carlos Ayres e está tudo lá. Usaram até má fé na contagem das tribos. Pena que os demais não me parecem ser tão coerentes. O pedido de vistas foi festejado com fogos de artifício pelos arrozeiros, entre eles o prefeito de Pacaraima. E tudo indica que os índios perderão a causa.
Li outros artigos e depoimentos a favor dos arrozeiros... Que triste!
Falar em soberania nacional, em internacionalização da Amazônia e em índios improdutivos é, no mínimo, um escárnio... uma ignorância sem tamanho.
Se essa é a condição, que tal criarmos uma cidade subterrânea para colocarmos, além dos índios, crianças e idosos, os improdutivos da sociedade, bem longe dos produtivos?
Ou ainda, que tal eliminarmos as casas e passarmos a morar em casulos, sem quintais ou jardins? Afinal, se não produzimos nada no fundo do nosso quintal, pra que ter tanta terra assim? Abaixo todos os sítios e fazendas que servem apenas ao lazer. Produção é a ordem!
Quanta besteira!
É o mesmo raciocínio da revista Veja ao questionar o Lula por estar usando um aparelho celular. Isto seria um luxo para um mero metalúrgico. Metalúrgico que se preza não pode querer viver bem. Índio que se preza não pode lutar com as mesmas armas dos brancos (linda a imagem da advogada índia, como Marcos bem observou). Todo mundo, assim, no seu devido lugar. E só assim para entender a ditadura, Hitler, os skinheads, a escravidão segregando as pessoas pela cor da pele. Negro passar da senzala para a casa grande? Quanta heresia! Índio querendo terra? Para quê? Nortista no sul do País? Só se for peão. Esse raciocínio é ridículo.
Há um artigo da Marina Silva, lembrando de um grande grileiro no Pará que se apossou de 5 milhões de hectares na Terra do Meio. Lembrou também das 86 pistas clandestinas destinadas ao tráfico de drogas que a PF ali implodiu e que, apesar disso, ela nunca ouviu ninguém se manifestar achando que o grileiro, com 5 milhões de hectares (e sem nada a produzir), colocaria em risco a soberania nacional.
Não viu nenhuma campanha nacional contra.
Daí vem minha indignação.
Certa vez (já não me recordo o ano), cobri a questão envolvendo Waimiri-atroaris e a mineradora Paranapanema. Conheci a área dos índios e a área cedida ao grupo. Preservação de um lado, aridez total do outro. Pareciam áreas distintas. E ainda teve gente contra os waimiri, questionando o motivo de eles terem barrado a passagem dos caminhões da Paranapanema. Mais uma vez, o tal do risco à produção nacional.
Como disse Carlos Ayres: "Índio não atrapalha o desenvolvimento".
No caso da Raposa Serra do Sol, estamos falando de mais de 18 mil índios. Em Roraima, há 06 rizicultores ocupando 14 mil hectares. Tenha santa paciência!
Só para concluir, ainda pegando a deixa da Marina Silva, em 1992 quando foi homologada a reserva dos Ianomamis, houve o mesmo tipo de manifestação (soberania, blá blá, produtividade... bla bla bla, internacionalização da Amazônia, mais bla bla):
"Passados 16 anos, a reserva abriga 15 mil índios em área de fronteira e não se tem notícia de que tenham causado qualquer dano à nossa soberania e muito menos que pretendam ser uma "nação indígena" separada do território brasileiro, como diziam à época os opositores da homologação". (Só para lembrar: quem criou um movimento separatista foi um grupo no sul do País).
As terras dos índios têm um valor ancestral, significado muito difícil de traduzir para aqueles que só ficam indignados quando lhe roubam um carro, um rolex de estimação (!) ou lhe tocam no umbigo. Pergunte a eles se permitem reduzir o quintal de suas casas ou um sítio em favor de algum produtor, de algum sem-teto. O argumento será outro, tenho certeza. Um mundinho à parte cheio de preconceitos e frases-feitas (sentem saudade da ditadura, são contra o desarmamento, a favor da pena de morte e gostam dos políticos que roubam, mas fazem).
Daí, novamente, minha indignação. Nunca vão entender o que acabo de escrever.
Clique aqui e leia a defesa do ministro Carlos Ayres.
Clique aqui e leia texto de Marina Silva sobre a questão.
Clique aqui e leia o blog “Um advogado intimista”.
domingo, 31 de agosto de 2008
domingo, 24 de agosto de 2008
Amor bastante
Essa foi, no mínimo, intrigante... Fiquei com uma vontade imensa de reler leminski, hoje. Tenho apenas dois livros dele e comecei a procurá-los na estante. Queria achar o "la vie en close", que gosto muito. Depois de achado, deitei na rede e reli... São vários hai-kais bem rápidos de se ler...
Ao final do livro, parei para reler sua biografia. E não é que hoje ele estaria aniversariando? Já havia esquecido que ele era virginiano e do dia 24 de agosto.
Salve, leminski!
Deixo um hai-kai dos que mais gosto
AMOR BASTANTE
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
p. leminski - La vie en close (ed. Brasiliense, p. 95)
Ao final do livro, parei para reler sua biografia. E não é que hoje ele estaria aniversariando? Já havia esquecido que ele era virginiano e do dia 24 de agosto.
Salve, leminski!
Deixo um hai-kai dos que mais gosto
AMOR BASTANTE
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
p. leminski - La vie en close (ed. Brasiliense, p. 95)
Valei-me, Deus

Recebi um e-mail dando conta da "tradução" de uma das músicas mais conhecidas de Djavan: Flor de Lis. A mensagem fazia-nos crer que o cantor teve uma "mulher chamada Maria; os dois teriam uma filha que se chamaria Margarida, mas sua mulher teve um problema na hora do parto e ele teria que optar por sua mulher ou por sua filha... Ele pediu ao médico que fizesse tudo que pudesse para salvar as duas, mas o destino foi duro e a mulher e a filha faleceram no parto".
O e-mail circula com o adendo: "Agora é possível 'sentir' a letra da música. Conhecendo esta breve história passamos a ouvir a música sob novo contexto, entendendo como a dor pode ser transformada em poema e arte".
Embora trágica, a "verdadeira" história, do meu ponto de vista poético, havia estragado a letra... Não conseguia ver como "poema ou arte" o encaixe de tão estapafúrdia história com os versos de flor de lis. E achava ainda mais descabido um letrista como Djavan transformar um drama como esse em um samba-canção.
Cheguei à assessoria e lá a história ganhava ares de verdade verdadeira. "Poxa, fiquei emocionada agora, lendo a história por trás da música flor de lis", disse minha colega de trabalho, mais ou menos nesses termos, ao ler o mesmo e-mail. A história estava se alastrando.
Hoax, é o termo usado para isso. Alguém, sem nada o que fazer na vida, inventa essas histórias e as repassa como verídicas.
A assessoria do DJavan, no entanto, informa que a história não é verdadeira."Coisas da internet", conclui a assessoria.
Ufa, ainda bem...
O e-mail circula com o adendo: "Agora é possível 'sentir' a letra da música. Conhecendo esta breve história passamos a ouvir a música sob novo contexto, entendendo como a dor pode ser transformada em poema e arte".
Embora trágica, a "verdadeira" história, do meu ponto de vista poético, havia estragado a letra... Não conseguia ver como "poema ou arte" o encaixe de tão estapafúrdia história com os versos de flor de lis. E achava ainda mais descabido um letrista como Djavan transformar um drama como esse em um samba-canção.
Cheguei à assessoria e lá a história ganhava ares de verdade verdadeira. "Poxa, fiquei emocionada agora, lendo a história por trás da música flor de lis", disse minha colega de trabalho, mais ou menos nesses termos, ao ler o mesmo e-mail. A história estava se alastrando.
Hoax, é o termo usado para isso. Alguém, sem nada o que fazer na vida, inventa essas histórias e as repassa como verídicas.
A assessoria do DJavan, no entanto, informa que a história não é verdadeira."Coisas da internet", conclui a assessoria.
Ufa, ainda bem...
A chuva
O tempo fechou... Parece noite, às 15h da tarde. Mas a sensação é boa, embora a chuva tenha lavado e levado as flores do chão.
sábado, 23 de agosto de 2008
Agosto chegando ao fim...
domingo, 17 de agosto de 2008
Leão
Hoje é o aniversário da minha mãe, a dona Neusa ou o "sa" do meu nome (o Wil é do pai, é claro). Leonina que só ela... E quem conhece um leonino sabe do que digo... (não é, Elaíze?) Teve almoço, parentes aparecendo aqui por casa e o Fernando, meu afilhado... Lindo que só... Já falei sobre afetividades em família por aqui e vou falar mais uma vez: não sei por que sempre que tenho de abraçar minha mãe pra dar ou receber os parabéns me dá uma vontade danada de chorar. E choro, sempre! Alguém poderia me explicar que fenômeno é esse? Não sei... talvez a emoção verdadeira... Talvez porque seja chorona... talvez porque tenha aprendido a ser assim tb... (minha mãe é chorona, meu tio quase sempre chora lembrando histórias marcantes)... Não sei... muitos talvez...
Mas tenho certeza de que não gostaria mais de chorar... é constrangedor, às vezes. Mas não consigo...
Enfim, não vou falar mais porque já estou começando a chorar de novo...
Ela é tudo... só isso...
Mas tenho certeza de que não gostaria mais de chorar... é constrangedor, às vezes. Mas não consigo...
Enfim, não vou falar mais porque já estou começando a chorar de novo...
Ela é tudo... só isso...
domingo, 10 de agosto de 2008
Vigília
"E eu que não sabia que o amor requer vigília". (André, em Lavoura Arcaica).
Um pouco de Raduan para quem poucas palavras bastam para todo o entendimento...
Catita
Hoje é o Dia dos Pais... e anteontem, sexta-feira, fiquei em casa pela manhã... Foi quando pude olhar direito pras coisas de casa... Vi, então, meu pai saindo pelo portão... Ainda não tinha percebido como os cabelos dele já estão quase todos brancos...
"Eu vi o tempo", diz a música... Fiz as contas e vi mais uma vez o tempo: ele vai fazer 70 anos no próximo ano ... Que bom!
Mas somos estranhos, aqui em casa. Não somos muito de demonstrar afetos fáceis. Abraços? Beijos...? É sempre uma dificuldade. É estranho, mas nos amamos assim, desse jeito...
Desculpem o mau jeito. É isso...
"Eu vi o tempo", diz a música... Fiz as contas e vi mais uma vez o tempo: ele vai fazer 70 anos no próximo ano ... Que bom!
Mas somos estranhos, aqui em casa. Não somos muito de demonstrar afetos fáceis. Abraços? Beijos...? É sempre uma dificuldade. É estranho, mas nos amamos assim, desse jeito...
Desculpem o mau jeito. É isso...
domingo, 3 de agosto de 2008
A menina e os gatos

Acho que posso chamar de destino (sempre volto a ele) o começo de nossa amizade. Eu estava um ano adiantada dela e pela lógica de minhas amizades dificilmente seríamos amigas. Todas elas, as minhas amigas (que sempre vamos chamar de meninas), diga-se de passagem, tinham o meu perfil: eram tímidas ao extremo e, assim, acabamos fechadas em um círculo de meninas tímidas**, sem namorado, virgens (desculpa meninas, contei), na faculdade (o ICHL), mas com muitos sonhos em comum.
Não consigo me recordar (é a idade, eu sei) de como nos conhecemos, mas minha memória aponta para o Centro Acadêmico de ComunicaçãoSocial, o CUCOS. Éramos as revolucionárias de batom, expressão cunhada por ela. Na primeira reunião, sentei ao seu lado (ou ela sentou do meu) e daí começamos a reunir as semelhanças: gostávamos de cinema, Woody Allen em especial (saudades do Cine Qua Non); literatura (líamos Simone de Beauvoir por pura "metidez") e achávamos que ainda poderíamos viver o maio de 68 na Manaus do final da década de 80. Ela era trotkista e lá me apresentou a revolução. Dias de leituras de esquerda e "lutas" até sobre a moto do tio, também trotkista. Ela andava mais com a nossa turma do que mesmo com a dela...
O tempo foi passando... fui pra São Paulo e nos correspondíamos no modo antigo: cartas chegando pelo Correio, nada de e-mails que hoje nos aproximam mais... Eram cartas que falavam das novidades de cada uma, dos novos amores, da separação... das dores...
Voltei pra Manaus e nos encontramos novamente nas redações de jornal. Continuamos nossas sessões de cinema, de encontros só pra sentar num banco e falar da vida de quem passava pela frente...
Depois foi a vez de ela ir pra São Paulo. Tempos de ICQ, de namorados virtuais e de outras paranóias...
Tempos depois ela retorna a Manaus e ganha uma casa (looonge que só vendo) e teve muitos filhos. Adotados, é claro; felinos, é claro, mas tenho certeza que o sentimento é o mesmo do de um filho.
Anteontem, nos encontramos e até almoçamos juntas em um restaurante fdq chamado Corsário... Tudo isso sem combinar nada... E tem sido assim... sem marcar tem dado mais certo... Falamos, pra variar, das rugas, cabelos brancos e gorduras localizadas e espalhadas... Da intolerância à burrice, hipocrisias e tudo o mais...
Ontem, foi seu aniversário e me deu vontade de falar dela e de nossa amizade...
Elaíze, Lalá, para alguns, deu agora pra voltar ao ICHL sem suas amigas... eu, Tereza e Liege. Que impertinência! Mas ponto pra ela: estudar nos renova e tenho certeza de que ela se sente assim, hoje.
Queria te dar os parabéns de modo diferente... dizendo que é muito bom ter uma amiga como você. Apesar de nossas idiossincrasias (desculpa a palavra, aí) sinto saudade daquele tempo, mas sei que vc está por perto.... embora longe.
Ah... vão dizer, como sempre: sabia que elas tinham alguma coisa... A maledicência (é assim que escreve?) de sempre... e temos mesmo... uma grande amizade... mas com meninos no meio (ops, nada de orgias, pessoal).
* O passar do tempo deixa a gente assim, saudosistas e piegas...
Engraçado como São Paulo passou por nossas vidas...? primeiro eu e Liege; depois a Elaize e depois a Tereza (não sei qual foi a ordem certa).
** só a timidez pra explicar porque meninas bonitas e inteligentes não tinham namorados naquela época... =))
*** Ah... ela também conhece o desenho do sapinho que canta Hello, my baby...
**** E quando começamos a dizer "naquela época"... humpf...
Não consigo me recordar (é a idade, eu sei) de como nos conhecemos, mas minha memória aponta para o Centro Acadêmico de ComunicaçãoSocial, o CUCOS. Éramos as revolucionárias de batom, expressão cunhada por ela. Na primeira reunião, sentei ao seu lado (ou ela sentou do meu) e daí começamos a reunir as semelhanças: gostávamos de cinema, Woody Allen em especial (saudades do Cine Qua Non); literatura (líamos Simone de Beauvoir por pura "metidez") e achávamos que ainda poderíamos viver o maio de 68 na Manaus do final da década de 80. Ela era trotkista e lá me apresentou a revolução. Dias de leituras de esquerda e "lutas" até sobre a moto do tio, também trotkista. Ela andava mais com a nossa turma do que mesmo com a dela...
O tempo foi passando... fui pra São Paulo e nos correspondíamos no modo antigo: cartas chegando pelo Correio, nada de e-mails que hoje nos aproximam mais... Eram cartas que falavam das novidades de cada uma, dos novos amores, da separação... das dores...
Voltei pra Manaus e nos encontramos novamente nas redações de jornal. Continuamos nossas sessões de cinema, de encontros só pra sentar num banco e falar da vida de quem passava pela frente...
Depois foi a vez de ela ir pra São Paulo. Tempos de ICQ, de namorados virtuais e de outras paranóias...
Tempos depois ela retorna a Manaus e ganha uma casa (looonge que só vendo) e teve muitos filhos. Adotados, é claro; felinos, é claro, mas tenho certeza que o sentimento é o mesmo do de um filho.
Anteontem, nos encontramos e até almoçamos juntas em um restaurante fdq chamado Corsário... Tudo isso sem combinar nada... E tem sido assim... sem marcar tem dado mais certo... Falamos, pra variar, das rugas, cabelos brancos e gorduras localizadas e espalhadas... Da intolerância à burrice, hipocrisias e tudo o mais...
Ontem, foi seu aniversário e me deu vontade de falar dela e de nossa amizade...
Elaíze, Lalá, para alguns, deu agora pra voltar ao ICHL sem suas amigas... eu, Tereza e Liege. Que impertinência! Mas ponto pra ela: estudar nos renova e tenho certeza de que ela se sente assim, hoje.
Queria te dar os parabéns de modo diferente... dizendo que é muito bom ter uma amiga como você. Apesar de nossas idiossincrasias (desculpa a palavra, aí) sinto saudade daquele tempo, mas sei que vc está por perto.... embora longe.
Ah... vão dizer, como sempre: sabia que elas tinham alguma coisa... A maledicência (é assim que escreve?) de sempre... e temos mesmo... uma grande amizade... mas com meninos no meio (ops, nada de orgias, pessoal).
* O passar do tempo deixa a gente assim, saudosistas e piegas...
Engraçado como São Paulo passou por nossas vidas...? primeiro eu e Liege; depois a Elaize e depois a Tereza (não sei qual foi a ordem certa).
** só a timidez pra explicar porque meninas bonitas e inteligentes não tinham namorados naquela época... =))
*** Ah... ela também conhece o desenho do sapinho que canta Hello, my baby...
**** E quando começamos a dizer "naquela época"... humpf...
***** Desculpa pelo desenho acima... são minhas primeiras experiências com uma tablet. Vou melhorar... O desenho dos gatos foi pego na net mesmo...
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