domingo, 3 de agosto de 2008

A menina e os gatos


Acho que posso chamar de destino (sempre volto a ele) o começo de nossa amizade. Eu estava um ano adiantada dela e pela lógica de minhas amizades dificilmente seríamos amigas. Todas elas, as minhas amigas (que sempre vamos chamar de meninas), diga-se de passagem, tinham o meu perfil: eram tímidas ao extremo e, assim, acabamos fechadas em um círculo de meninas tímidas**, sem namorado, virgens (desculpa meninas, contei), na faculdade (o ICHL), mas com muitos sonhos em comum.

Não consigo me recordar (é a idade, eu sei) de como nos conhecemos, mas minha memória aponta para o Centro Acadêmico de ComunicaçãoSocial, o CUCOS. Éramos as revolucionárias de batom, expressão cunhada por ela. Na primeira reunião, sentei ao seu lado (ou ela sentou do meu) e daí começamos a reunir as semelhanças: gostávamos de cinema, Woody Allen em especial (saudades do Cine Qua Non); literatura (líamos Simone de Beauvoir por pura "metidez") e achávamos que ainda poderíamos viver o maio de 68 na Manaus do final da década de 80. Ela era trotkista e lá me apresentou a revolução. Dias de leituras de esquerda e "lutas" até sobre a moto do tio, também trotkista. Ela andava mais com a nossa turma do que mesmo com a dela...

O tempo foi passando... fui pra São Paulo e nos correspondíamos no modo antigo: cartas chegando pelo Correio, nada de e-mails que hoje nos aproximam mais... Eram cartas que falavam das novidades de cada uma, dos novos amores, da separação... das dores...

Voltei pra Manaus e nos encontramos novamente nas redações de jornal. Continuamos nossas sessões de cinema, de encontros só pra sentar num banco e falar da vida de quem passava pela frente...

Depois foi a vez de ela ir pra São Paulo. Tempos de ICQ, de namorados virtuais e de outras paranóias...

Tempos depois ela retorna a Manaus e ganha uma casa (looonge que só vendo) e teve muitos filhos. Adotados, é claro; felinos, é claro, mas tenho certeza que o sentimento é o mesmo do de um filho.

Anteontem, nos encontramos e até almoçamos juntas em um restaurante fdq chamado Corsário... Tudo isso sem combinar nada... E tem sido assim... sem marcar tem dado mais certo... Falamos, pra variar, das rugas, cabelos brancos e gorduras localizadas e espalhadas... Da intolerância à burrice, hipocrisias e tudo o mais...

Ontem, foi seu aniversário e me deu vontade de falar dela e de nossa amizade...

Elaíze, Lalá, para alguns, deu agora pra voltar ao ICHL sem suas amigas... eu, Tereza e Liege. Que impertinência! Mas ponto pra ela: estudar nos renova e tenho certeza de que ela se sente assim, hoje.

Queria te dar os parabéns de modo diferente... dizendo que é muito bom ter uma amiga como você. Apesar de nossas idiossincrasias (desculpa a palavra, aí) sinto saudade daquele tempo, mas sei que vc está por perto.... embora longe.

Ah... vão dizer, como sempre: sabia que elas tinham alguma coisa... A maledicência (é assim que escreve?) de sempre... e temos mesmo... uma grande amizade... mas com meninos no meio (ops, nada de orgias, pessoal).

* O passar do tempo deixa a gente assim, saudosistas e piegas...
Engraçado como São Paulo passou por nossas vidas...? primeiro eu e Liege; depois a Elaize e depois a Tereza (não sei qual foi a ordem certa).
** só a timidez pra explicar porque meninas bonitas e inteligentes não tinham namorados naquela época... =))
*** Ah... ela também conhece o desenho do sapinho que canta Hello, my baby...
**** E quando começamos a dizer "naquela época"... humpf...
***** Desculpa pelo desenho acima... são minhas primeiras experiências com uma tablet. Vou melhorar... O desenho dos gatos foi pego na net mesmo...

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