terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carnaval e chuva

Adoro Carnaval! Não a festa, mas os dias que tenho pra descansar... ficar no ócio criativo, pra usar uma expressão da moda. E quando chove, então... Melhor ainda...

Mas não sou do tipo que abomina as 'folias de Momo". Sempre gostei da idéia de escola de samba: ter um enredo e desenvolvê-lo de maneira criativa em alegorias e adereços. Acho isso lindo. O único problema é a repetição e, agora também, a intervenção do patrocínio nas escolas. Tudo fica muito chato. Datado.

Também não gosto da obrigação de se estar alegre e feliz nesses dias. E mais que isso, tem de estar alegre e feliz e disposto para a azaração (não gosto dessa palavra, mas não me veio outra). O outdoor já avisa: na folia, use camisinha. No carnaval, portanto, é preciso se dar... Humpf!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Dear prudence

Uma das lições que guardo do jornalismo e que costumava contar aos alunos do curso, dava conta de um plantão de polícia em uma delegacia. O caso: pai protege filha de estuprador, levando-o até à delegacia de polícia.

Ouço a versão do pai, até então a de um verdadeiro herói livrando a filha de 13 anos de um marginal. Ele perdera até um dente ao lutar bravamente contra o então vizinho "fascínora".
Peço para ouvir o acusado, o que não é muito comum (!), podem acreditar, a alguns que cobrem polícia. Já na cela, surge a outra versão: "Não fiz nada com a menina. Ela é que me procurou pra fugir do padrastro. Ele, sim, é que pega a garota".

Na impossibilidade de ouvir a menina (ECA), recorri também à delegada, já com anos de vivência. Ela já havia suspeitado do agora padrasto.

No dia seguinte, a verdadeira história era a do acusado, segundo a investigação da delegada e a versão da menina.

Prudência e desconfiança é o que todo jornalista deve ter em mente na apuração de casos como o da advogada Paula (e de qualquer outro caso). É difícil, eu sei. As primeiras versões são quase sempre as que nos marcam de imediato. Mas, nisso tudo, não pode ser concebível não se ouvir o outro lado. É ele que aguça a nossa desconfiança e nos permite embarcar na prudência até diante de casos de indignação como esse.

Desconfiar é sempre bom.

PS.: O pai da advogada disse que de qualquer maneira ela seria vítima. Se não dos agressores, de problemas psicológicos. Mas há uma outra versão que dá conta de uma indenização que ela poderia estar atrás... Ahhh... as versões...

Fotojornalismo


A primeira vez que vi a foto do Luiz Vasconcelos (que chamamos na redação apenas de Luizinho) não tinha noção da repercussão que havia tomado. Comentei com os amigos da assessoria sua beleza plástica e denúncia: fotojornalismo em seu dna, dizia. Queria ligar pra ele, dar os parabéns, mas continuei folheando o jornal. Foi aí que vi a repercussão: um grande anúncio de parabéns! Luizinho havia saído nos grandes jornais do país e do mundo. Luizinho e a mulher indígena no embate com uma tropa de choque inteira.

Luizinho era daqueles fotógrafos (digo era porque não estou mais nas redações) que trabalhavam no turno da manhã e gostava de sair no horário pra curtir a família. Não era do tipo que reclamava ou competia para ser capa de domingo, por exemplo. Não sentia nele o tom competitivo daqueles fotógrafos que eram chamados ou então se escalavam para as grandes reportagens (nada contra isso). E isso é o mais interessante de tudo. Foi justo ele, que estava à frente da máquina, no momento certo, na hora certa, registrando a imagem que nos impulsiona à indignação.

A imagem é impressionante sob vários aspectos. Do ponto de vista estético, reparem como parece que a mulher e seu filho são os únicos a terem cor, vida, diante do batalhão em seus tons de cinza. De quebra, ela ainda usava uma saia com um tom de laranja que contrastava ainda mais a cena.

Do ponto de vista da mensagem, temos a grandeza de uma pessoa acreditando ter o poder de enfrentar um batalhão de choque, tanques de guerra ou o mundo inteiro. Reparem também que o batalhão não tem rosto. Não há humanidade, portanto. E não há mesmo! A foto nos diz muito.

Luiz Vasconcelos conquistou o Worldpress Photo of the Year.

Parabéns, Luizinho!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Da série: mamãe fotógrafa

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Vou voltar a ser eu...

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... e nem me perguntem o que isto significa... só quero ser eu...

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