quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Mais um ano chegando...

Continuo sem vontade de escrever, mas não queria terminar o ano com a mensagem antiga, aí embaixo... Por isso, escrevi essas poucas linhas... Só para o Ano Novo chegar um pouco mais alegrinho...

Feliz 2010 pra você!

domingo, 1 de novembro de 2009

Crime realmente organizado

Fiquei pasma ao ler o noticiário sobre a prisão de uma quadrilha de traficantes, em Manaus. A expressão "crime organizado" não poderia ser melhor aplicada. As noticias dão conta de que a quadrilha era liderada por uma mulher de 28 anos que assumiu o poder depois que o irmão foi preso. Patrícia, o nome dela, estabelecia metas para os "os pontos" que a família liderava, conhecia como ninguém todos os P´s do Marketing (praça, preço, promoção e produto) e, como boa administradora, até patrocinava um programa (ou seriam programas) de TV bem dentro de seu "target": o mundo-cão "Canal Livre".

Esperta que só ela, a menina ainda se deixou fotografar com a camisa do time do São Raimundo! Quer empatia melhor que essa?

Ela só levou muito a sério a expressão "marketing de guerra" ao resolver eliminar de verdade seus concorrentes.

Se bobear, vocês ainda verão esta garota encabeçando alguma lista de "mais votados" nas eleições de Manaus ou entrando para o show business ao lado de outro que andou patrocinando o tráfico, um cantor que de belo não tem absolutamente nada, mas ainda consegue fazer sucesso por aqui.

sábado, 10 de outubro de 2009

A chuva

Depois de um longo período de sol a pino, está chovendo em Manaus. Sensação boa, mas veio também um aperto no coração...

domingo, 20 de setembro de 2009

Somos aterrorizantes



* Observação importante: se você ainda não viu este filme e ainda tem pretensões de assisti-lo, não continue a leitura pois ela revela muito do filme e do seu final.


Assisti ao Anticristo, ontem, do cineasta dinamarquês Lars von Trier, e a primeira reação que tive foi a de dizer: "não gostei". Muito dessa negativa veio do fato de não suportar ver certas cenas de violência ou mutilação presentes no filme. Mas Anticristo merece uma segunda reflexão. O bom é que ela vem naturalmente como se, aos poucos, os sentidos do filme fossem se revelando para o espectador.

O roteiro traz a história de um casal às voltas com as angústias e depressão pela perda de um filho. Willem Dafoe, no papel de um psicanalista, tenta ajudar a esposa (Charlotte Gainsbourg) recorrendo à terapia e voltando ao lugar onde a mulher havia passado uma temporada redigindo uma tese sobre o feminicídio. É ali, no meio da floresta (e que eles vão chamar ironicamente de Éden), que eles irão viver o inferno de seus dramas interiores mais profundos.

Esse resuminho acima é o que aparentemente o filme trata, mas não foi assim que o entendi, já discordando de algumas críticas e resenhas que o resumem desta forma. O filme não se centra na dor de uma mãe em luto ou do que uma pessoa é capaz diante da morte de alguém querido. O filme fala da culpa e da condição humana (daí porque as referências à Nietzsche) muito antes da perda do filho pelo casal.

"A natureza é a igreja do Satanás", diz uma das falas da protagonista, e estendo esse inferno novamente à natureza, mas não como a conhecemos e sim a natureza humana. Os dramas da personagem começam em sua solidão no Éden a que ela mesmo se submete junto ao filho pequeno. O filho por si só não foi suficiente para aplacar sua solidão e a angústia pelo desprezo do marido. Seu maior medo, portanto, era o de perder o marido. Seu maior medo girava no egoísmo de ser feliz.

Isto se revela quando o marido dá os indicadores de que a mãe, na verdade, maltratava o filho em seu Éden particular (ele mostra o raio-x dos pés da criança já em processo de deformação e fotos onde ele aparecia com os sapatos trocados, além de lembranças da mãe ao ouvir a criança sozinha chorando). A cena inicial também se mostra reveladora ao final do filme: ela, mantendo relações com o marido e vendo o filho sair do berço (essa sua culpa maior: a de que poderia ter impedido a criança de ter caído da janela).

Temos aí, portanto, a maior corrupção do homem, na frase de Nietzche (no livro Anticristo); isto se traduz na condição do desencontro aos princípios que deveriam ser cristãos: do anticristianismo, na verdade. Do que somos capazes, afinal, muito além do bem e do mal? O personagem de Dafoe parece reconhecer isto como em uma revelação, ao final do filme, mas ainda preciso revê-lo para entender melhor.

No final das contas, La Von Trier produziu um filme de terror diferente e não poderia ser de outra forma para quem fundou o Dogma 95. E, de fato, não há nada mais aterrorizante do que a revelação do lado mais obscuro da condição humana. A cena da morte da criança é expressiva da tentativa do diretor de fugir aos modelos: tem-se a câmera lenta, imagens em preto e branco, e ao fundo uma ária de Haendel (Rinaldo) que diz "deixe-me chorar pelo meu destino cruel (...), que a dor possa romper os laços da minha angústia".

O filme é repleto de imagens-símbolos que merecem um cuidado especial, mas que talvez tenha seu valor para cada espectador.

Enfim, não podemos dizer que não havia dor pela perda da criança, mas uma dor entremeada pelo sentimento de se saber sempre culpado.

O filme também me lembrou de pessoas que estão todos os dias nas Igrejas e Templos, mas que no dia-a-dia são mais anticristãs do que muitos ateus.

sábado, 5 de setembro de 2009

Meu aniversário...

É... 05 de setembro... Mais um ano... Inferno astral chegando ao fim... Que chegue logo o dia 06 :)

sábado, 29 de agosto de 2009

Idiotice

Alguém aí poderia jogar uma bomba nesse evento chamado Festa do Peão de Boaiadeiro? Como pode o homem ser tão ridículo assim, maltratando os animais dessa maneira. É horrível! Continuo torcendo pelos bois. Quero que esses peões se quebrem, se danem e que as pessoas que vão assistir danem-se igualmente, com seus chapeus de cowboy, bota e mentalidade americana (norte-americana, diga-se de passagem).

Por isso, não perdoo dona Glória Perez. E o Uol ainda cria uma seção sobre o assunto. Não dá pra aguentar!

Reabrindo a janela...

Eu já havia avisado que iria ficar afastada por um tempo, mas hoje me deu vontade de tirar a poeira novamente da janela e escrever umas "mal traçadas linhas". Foi um sábado diferente, hoje: o clima estava diferente, parecia que estávamos em tom sépia. Achei que fosse a minha indefectível sensação nostálgica dos sábados, mas minha irmã fez o mesmo comentário: "Hoje o dia está estranho".

E estava mesmo. Mas um estranho legal. Saí por volta das 17h e o tempo estava lindo. Um vento soprou inesperadamente, acho que em todos os lugares de Manaus. Do carro, vi as folhas caindo, sacos plásticos subindo e a poeira irritando os olhos das pessoas na rua.

Quando cheguei em casa, novamente minha irmã confirmou: um vento estranho havia surgido do nada, em casa, fazendo os cachorros ficarem apreensivos.

Tive de abrir a janela pra deixar esse dia entrar...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Abrindo a janela...

... é... faz um tempão que ela estava fechada... E acho que ainda vai ficar outro tanto depois de hoje... Ando assim meio sem tempo e sem cabeça pra escrever...
Acho que não tenho muito a dizer...

só isso...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

frases soltas... só isso

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, senão ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo isso não tem muita importância. O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre em todos os lugares, em todas as épocas do ano dormindo ou acordado."

William Shakespeare

domingo, 26 de abril de 2009

das poucas alegrias desses dias

às vezes, me pego rindo sozinha com coisas que gosto muito. Não é um riso de gargalhadas... é um sorriso apenas, se é que existe essa diferença. é aquele afastar do canto da boca muito simples.
Já me peguei assim no cinema com alguns filmes muito legais. Sorrio da felicidade de saber que alguém foi capaz de fazer um filme que te eleva... não sei se dá pra entender...

Ontem foi assim também, em outro contexto...

Estava no Curral do Garantido (a trabalho), no momento em que a batucada entrou, e me peguei sorrindo... não com a batucada ou com o Garantido (nada contra também), mas com o trabalho dos fotógrafos: o desespero pelo melhor ângulo, o melhor momento...Vi o Hudson Fonseca fulo da vida pedindo pra um rapaz sair da frente do boi garantido quando ele saiu de dentro de um coração; vi o raphael alves levantando a câmera e clicando no momento em que o fogo era "cuspido" em uma espécie de ritual. Fiquei imaginando a foto...

Aí que vi como gosto da minha atividade. Me deu saudade disso. De jornalismo. Da correria, do registro do real de uma maneira única, não rotineira. Sempre fiz por prazer... até aos sábados e feriados...

Também nessa noite sorri com outra imagem: o Leandro e a Larissa lá no meião feito dançarinos de carteirinha... Não sei... até parecemos almas gêmeas: eles gostam do que fazem e ainda conseguem tempo pra brincar... eles estavam felizes ali.

Isso também me alimenta...

foi isso....

ainda devo esta

... ainda estou devendo o relato do dia 22 de março... na chácara do jóquei clube... radiohead...

de mais ninguém...

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... como diz arnaldo antunes e marisa monte:

a dor é de quem tem!
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sábado, 28 de março de 2009

Tristeza

Vão dizer que é exagero... vão dizer que vai passar... vão dizer: que besteira! Não tem problema: o sentimento é o que é para cada um. E pra mim está sendo assim: difícil, doloroso, angustiante.
Perdi minha cadela (ou a cadela da Selma, que seria mais legítimo; a cadela da família). Ela marcou a todos em casa; estabeleceu "a comunicação"; a afetividade. Tinha personalidade.
Mas não consigo mais falar ou escrever. Ficou só o vazio. IMENSO.

domingo, 8 de março de 2009

Não poderia deixar de publicar

NOTA PÚBLICA
(sobre as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes (CPT Assessoria de Comunicação)


“Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos” (MT 23,24)

A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.

No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações ilegais. Cobrou do Ministério Público investigação sobre tais repasses. No dia 4 de março, voltou à carga discordando do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para quem o repasse de dinheiro público a entidades que “invadem” propriedades públicas ou privadas, como o MST, não deve ser classificado automaticamente como crime.O ministro, então, anunciou a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a ações sobre conflitos fundiários.

Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em 1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO), (1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.

Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23 os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso. Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.
Causa estranheza, porém, o fato desta medida estar sendo tomada neste momento. A prioridade pedida pelo CNJ será para o conjunto dos conflitos fundiários ou para levantar as ações dos sem terra a fim de incriminá-los? Pelo que se pode deduzir da fala do presidente do STF, “faltam só dois anos para o fim do governo Lula”... e não se pode esperar, “pois estamos falando de mortes” nos parece ser a segunda alternativa, pois conflitos fundiários, seguidos de mortes, são constantes. Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?

Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao agronegócio e às suas entidades de classe.

Pelas intervenções do ministro se deduz que ele vê na organização dos trabalhadores sem terra, sobretudo no MST, uma ameaça constante aos direitos constitucionais.

O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o “progresso”, embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo. Gilmar Mendes escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção.

O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas esferas do poder: “Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo” (MT 23,23-24).

Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!

Goiânia, 6 de março de 2009.


Dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges
Presidente da Comissão Pastoral da Terra

domingo, 1 de março de 2009

Sobre o silêncio

Da minha adolescência, lembro-me de algumas imagens que, volta e meia, são tocadas pela lembrança ainda hoje.Uma delas sempre me visita quando estou na sala aos sábados ou domingos: é a lembrança do silêncio, do vazio. É que, não sei se foram muitas vezes, mas alguns dias, quando eu chegava do colégio, à tarde, deparava-me com a casa fechada, sem ninguém. Era triste, achava eu. Ficava sentada no chão do pátio, esperando e ouvindo o barulho do silêncio. Era o cair da tarde que me vem na memória agora. E ficava assim imaginando a casa vazia, as pessoas na rua, suas histórias... E o que seria do meu futuro...

Hoje, domingo, essa lembrança voltou novamente quando eu estava assistindo ao filme "Na natureza selvagem". Não esperava nada do filme, mas fui assistindo, assistindo e tive uma grata surpresa, apesar de ter ficado assim meio pra baixo.

Trata-se da história de Christopher McCandless, que decide largar tudo (ele se destacava na faculdade) para se aventurar on the road... sozinho.

A imagem acima (e abaixo) foi encontrada em sua máquina fotográfica. Um ônibus-trailler onde ele viveu seus últimos dias... sozinho... convivendo com os poucos que por ali passavam. Ele parecia feliz. O que isso tem a ver com minhas lembranças de adolescência? Só mesmo os sonhos de, um dia, se poder colocar a mochila nas costas e descobrir outros mundos. Tudo sonho que ele colocou em prática.

* Nas fotos: ficção (cartaz do filme de Sean Penn) e realidade (o verdadeiro Christopher McCandless).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carnaval e chuva

Adoro Carnaval! Não a festa, mas os dias que tenho pra descansar... ficar no ócio criativo, pra usar uma expressão da moda. E quando chove, então... Melhor ainda...

Mas não sou do tipo que abomina as 'folias de Momo". Sempre gostei da idéia de escola de samba: ter um enredo e desenvolvê-lo de maneira criativa em alegorias e adereços. Acho isso lindo. O único problema é a repetição e, agora também, a intervenção do patrocínio nas escolas. Tudo fica muito chato. Datado.

Também não gosto da obrigação de se estar alegre e feliz nesses dias. E mais que isso, tem de estar alegre e feliz e disposto para a azaração (não gosto dessa palavra, mas não me veio outra). O outdoor já avisa: na folia, use camisinha. No carnaval, portanto, é preciso se dar... Humpf!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Dear prudence

Uma das lições que guardo do jornalismo e que costumava contar aos alunos do curso, dava conta de um plantão de polícia em uma delegacia. O caso: pai protege filha de estuprador, levando-o até à delegacia de polícia.

Ouço a versão do pai, até então a de um verdadeiro herói livrando a filha de 13 anos de um marginal. Ele perdera até um dente ao lutar bravamente contra o então vizinho "fascínora".
Peço para ouvir o acusado, o que não é muito comum (!), podem acreditar, a alguns que cobrem polícia. Já na cela, surge a outra versão: "Não fiz nada com a menina. Ela é que me procurou pra fugir do padrastro. Ele, sim, é que pega a garota".

Na impossibilidade de ouvir a menina (ECA), recorri também à delegada, já com anos de vivência. Ela já havia suspeitado do agora padrasto.

No dia seguinte, a verdadeira história era a do acusado, segundo a investigação da delegada e a versão da menina.

Prudência e desconfiança é o que todo jornalista deve ter em mente na apuração de casos como o da advogada Paula (e de qualquer outro caso). É difícil, eu sei. As primeiras versões são quase sempre as que nos marcam de imediato. Mas, nisso tudo, não pode ser concebível não se ouvir o outro lado. É ele que aguça a nossa desconfiança e nos permite embarcar na prudência até diante de casos de indignação como esse.

Desconfiar é sempre bom.

PS.: O pai da advogada disse que de qualquer maneira ela seria vítima. Se não dos agressores, de problemas psicológicos. Mas há uma outra versão que dá conta de uma indenização que ela poderia estar atrás... Ahhh... as versões...

Fotojornalismo


A primeira vez que vi a foto do Luiz Vasconcelos (que chamamos na redação apenas de Luizinho) não tinha noção da repercussão que havia tomado. Comentei com os amigos da assessoria sua beleza plástica e denúncia: fotojornalismo em seu dna, dizia. Queria ligar pra ele, dar os parabéns, mas continuei folheando o jornal. Foi aí que vi a repercussão: um grande anúncio de parabéns! Luizinho havia saído nos grandes jornais do país e do mundo. Luizinho e a mulher indígena no embate com uma tropa de choque inteira.

Luizinho era daqueles fotógrafos (digo era porque não estou mais nas redações) que trabalhavam no turno da manhã e gostava de sair no horário pra curtir a família. Não era do tipo que reclamava ou competia para ser capa de domingo, por exemplo. Não sentia nele o tom competitivo daqueles fotógrafos que eram chamados ou então se escalavam para as grandes reportagens (nada contra isso). E isso é o mais interessante de tudo. Foi justo ele, que estava à frente da máquina, no momento certo, na hora certa, registrando a imagem que nos impulsiona à indignação.

A imagem é impressionante sob vários aspectos. Do ponto de vista estético, reparem como parece que a mulher e seu filho são os únicos a terem cor, vida, diante do batalhão em seus tons de cinza. De quebra, ela ainda usava uma saia com um tom de laranja que contrastava ainda mais a cena.

Do ponto de vista da mensagem, temos a grandeza de uma pessoa acreditando ter o poder de enfrentar um batalhão de choque, tanques de guerra ou o mundo inteiro. Reparem também que o batalhão não tem rosto. Não há humanidade, portanto. E não há mesmo! A foto nos diz muito.

Luiz Vasconcelos conquistou o Worldpress Photo of the Year.

Parabéns, Luizinho!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Da série: mamãe fotógrafa

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Vou voltar a ser eu...

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... e nem me perguntem o que isto significa... só quero ser eu...

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domingo, 25 de janeiro de 2009

O tempo

"A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18".

Mark Twain


Há quem diga que o filme não é triste; há quem não chore ao vê-lo, mas há também aqueles que, como eu, saíram do cinema de olhos vermelhos e marejados. O filme: "O curioso caso de Benjamin Button", baseado em um conto de F. Scott Fitzgerald. Por que chorei? A explicação vem do diretor do filme, David Fincher, na Ilustrada (FSP) tentando explicar exatamente que não se trata de um filme triste:

"Não acho que "Benjamin Button" seja um filme triste. É um filme sobre as relações que experimentamos ao longo da vida, confrontadas com a perda dessas relações. Sobre as marcas que deixamos uns nos outros quando nos encontramos pelo caminho. Sobre dor, alegria, amor e remorso.

Precisa dizer mais? Foi por tudo isso que chorei. Pelas perdas, pelas marcas, pela dor e remorsos, mas também pelas emoções e alegrias da vida. Não se chora só de tristeza, mas às vezes de alegrias ou apenas por uma melancolia quase inexplicável, como os cheiros e luzes de um sábado ou domingo, por exemplo.

Chorei ao ver a primeira imagem de um filho diferente e abandonado, enternecido pelo amor de uma nova mãe. Chorei pelas perdas e também pela passagem do tempo. E é ele, o tempo, o grande protagonista do filme, marcado inicialmente por um relógio que conta as horas de modo inverso.

É a "aresta de um instante", como nos alerta Raduan em Lavoura Arcaica, que nos faz pensar: e se eu não estivesse lá, naquele momento? E se eu não tivesse dado aquele passo? Dito aquela frase? O "não ter volta" é, muitas vezes, angustiante, daí a frase acima, que deu origem ao conto de F. Scott Fitzgerald.

Mas gosto também de pensar nas marcas que deixamos nos outros e que os outros nos deixam. Outro dia, conversando com Mário Freire, Fernanda, Nato e Marcos, no Bar do Fidélis, vi o quanto ele, Mário, meu tio, tinha marcado de alguma maneira a minha vida. Ele começou a falar das peças de Beckett, sobre teatro e, ao falar, me encheu a alma. Como gosto disso! Do simbólico que marca nossas vidas e ainda há quem não perceba.

Há pessoas que nos marcam profundamente. Alteram nossa rotina. Nos fazem ver o mundo diferente. E a falta delas ou só a possibilidade dessa falta me angustia. Paro aqui, portanto, mas deixo o indicativo do filme.

Quem gostou de Forrest Gump, acredito que vá gostar de Benjamin Button, a exemplo deste vídeo que vai "linkado" a esta página. São as marcas-passado que também perseguem diretores e roteiristas (este último, o mesmo de Forrest Gump): sempre vão estar ali, pontuando suas obras; não dá pra esconder.

Benjamin = Forrest - assista.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Distante...

Estive ausente de minha janela azul por um tempo... Não que eu quisesse, mas é que nem sempre consigo ficar por perto. Estava com saudades já. E até tenho boas notícias...

Meus últimos posts davam conta de uma promoção que participei no final do ano e aguardava o resultado. Pois não é que ganhei. O livro chegou com a assinatura afetuosa do autor, Renato Alarcão. Fiquei muito feliz, sabendo que 2009 promete.

Guardei até o papel de embrulho porque tem lá a passagem do ilustrador pelo papel: sua inconfundível caligrafia e assinatura. Estou lendo o livro, aos poucos, sem seguir a ordem dos artigos.

Por enquanto, ainda estou tirando as teias e poeira desta janela ... Volto em breve.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Que ideia...

Não estou gostando nada disso... tiraram o acento de ideia. Mandaram sabe-se lá pra onde...
Me dói na alma ver a palavra assim... aliás, dói ainda tem acento?

O vento


Um pouco de Quintana, neste novo ano...


O que o vento não levou

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mário Quintana

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Primeiro dia

Hoje, primeiro dia do ano, e já estou aqui na minha janela aguardando o resultado de uma promoção bem legal do Alarcão: o primeiro e-mail do ano de 2009 seria presenteado com um livro sobre "o que é qualidade na ilustração para literatura".

Fiquei em dúvida sobre os horários e fusos deste mundo Brasil, ainda mais louco por conta do horário de verão, mas arrisquei a "meia noite" de São Paulo, é claro (Manaus 22h). Acho que não consegui ser a primeira, o que seria maravilhoso porque o livro viria autografado... mas tudo bem.

Tenho vários livros autografados. Gosto da idéia da assinatura do autor testemunhando o contato direto com o leitor-fã. Um dos que mais gosto (quem me conhece já sabe esta história de longas datas) é do Ignacio de Loyola Brandão porque fala do meu olhar. Tem também da Isabel Allende (através de uma amiga), do Moacir Scliar, Fernando Morais, Lia Luft e Milton Hatoum (vários).

Também lembrei que estou em débito com um livro infantil da Larissa que comecei a ilustrar e não terminei... Mas vou terminar, prometo.