domingo, 1 de março de 2009

Sobre o silêncio

Da minha adolescência, lembro-me de algumas imagens que, volta e meia, são tocadas pela lembrança ainda hoje.Uma delas sempre me visita quando estou na sala aos sábados ou domingos: é a lembrança do silêncio, do vazio. É que, não sei se foram muitas vezes, mas alguns dias, quando eu chegava do colégio, à tarde, deparava-me com a casa fechada, sem ninguém. Era triste, achava eu. Ficava sentada no chão do pátio, esperando e ouvindo o barulho do silêncio. Era o cair da tarde que me vem na memória agora. E ficava assim imaginando a casa vazia, as pessoas na rua, suas histórias... E o que seria do meu futuro...

Hoje, domingo, essa lembrança voltou novamente quando eu estava assistindo ao filme "Na natureza selvagem". Não esperava nada do filme, mas fui assistindo, assistindo e tive uma grata surpresa, apesar de ter ficado assim meio pra baixo.

Trata-se da história de Christopher McCandless, que decide largar tudo (ele se destacava na faculdade) para se aventurar on the road... sozinho.

A imagem acima (e abaixo) foi encontrada em sua máquina fotográfica. Um ônibus-trailler onde ele viveu seus últimos dias... sozinho... convivendo com os poucos que por ali passavam. Ele parecia feliz. O que isso tem a ver com minhas lembranças de adolescência? Só mesmo os sonhos de, um dia, se poder colocar a mochila nas costas e descobrir outros mundos. Tudo sonho que ele colocou em prática.

* Nas fotos: ficção (cartaz do filme de Sean Penn) e realidade (o verdadeiro Christopher McCandless).

2 comentários:

Lalá disse...

Engraçado... você, minha irmã, Leiriane... todas tem em comum essa vontade de ir pro mundo com a mochila nas costas.
Eu não sirvo pra ser mochileira, na verdade nunca quis muito (só naqueles momentos de fúria quando se quer fugir) mas nada pra se querer sempre... eu sou muito ligada às pessoas que me rodeiam.
O Bejamim Button também gostava da casa silenciosa quando todos estavam dormindo...

M. de O. disse...

Silêncio é introspecção. Me decepcionaria muito se eu fosse aos confins do mundo e encontrasse uma garrafa de coca-cola.