
A primeira vez que vi a foto do Luiz Vasconcelos (que chamamos na redação apenas de Luizinho) não tinha noção da repercussão que havia tomado. Comentei com os amigos da assessoria sua beleza plástica e denúncia: fotojornalismo em seu dna, dizia. Queria ligar pra ele, dar os parabéns, mas continuei folheando o jornal. Foi aí que vi a repercussão: um grande anúncio de parabéns! Luizinho havia saído nos grandes jornais do país e do mundo. Luizinho e a mulher indígena no embate com uma tropa de choque inteira.
Luizinho era daqueles fotógrafos (digo era porque não estou mais nas redações) que trabalhavam no turno da manhã e gostava de sair no horário pra curtir a família. Não era do tipo que reclamava ou competia para ser capa de domingo, por exemplo. Não sentia nele o tom competitivo daqueles fotógrafos que eram chamados ou então se escalavam para as grandes reportagens (nada contra isso). E isso é o mais interessante de tudo. Foi justo ele, que estava à frente da máquina, no momento certo, na hora certa, registrando a imagem que nos impulsiona à indignação.
A imagem é impressionante sob vários aspectos. Do ponto de vista estético, reparem como parece que a mulher e seu filho são os únicos a terem cor, vida, diante do batalhão em seus tons de cinza. De quebra, ela ainda usava uma saia com um tom de laranja que contrastava ainda mais a cena.
Do ponto de vista da mensagem, temos a grandeza de uma pessoa acreditando ter o poder de enfrentar um batalhão de choque, tanques de guerra ou o mundo inteiro. Reparem também que o batalhão não tem rosto. Não há humanidade, portanto. E não há mesmo! A foto nos diz muito.
Luiz Vasconcelos conquistou o Worldpress Photo of the Year.
Parabéns, Luizinho!
Luizinho era daqueles fotógrafos (digo era porque não estou mais nas redações) que trabalhavam no turno da manhã e gostava de sair no horário pra curtir a família. Não era do tipo que reclamava ou competia para ser capa de domingo, por exemplo. Não sentia nele o tom competitivo daqueles fotógrafos que eram chamados ou então se escalavam para as grandes reportagens (nada contra isso). E isso é o mais interessante de tudo. Foi justo ele, que estava à frente da máquina, no momento certo, na hora certa, registrando a imagem que nos impulsiona à indignação.
A imagem é impressionante sob vários aspectos. Do ponto de vista estético, reparem como parece que a mulher e seu filho são os únicos a terem cor, vida, diante do batalhão em seus tons de cinza. De quebra, ela ainda usava uma saia com um tom de laranja que contrastava ainda mais a cena.
Do ponto de vista da mensagem, temos a grandeza de uma pessoa acreditando ter o poder de enfrentar um batalhão de choque, tanques de guerra ou o mundo inteiro. Reparem também que o batalhão não tem rosto. Não há humanidade, portanto. E não há mesmo! A foto nos diz muito.
Luiz Vasconcelos conquistou o Worldpress Photo of the Year.
Parabéns, Luizinho!
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