domingo, 22 de fevereiro de 2009

Dear prudence

Uma das lições que guardo do jornalismo e que costumava contar aos alunos do curso, dava conta de um plantão de polícia em uma delegacia. O caso: pai protege filha de estuprador, levando-o até à delegacia de polícia.

Ouço a versão do pai, até então a de um verdadeiro herói livrando a filha de 13 anos de um marginal. Ele perdera até um dente ao lutar bravamente contra o então vizinho "fascínora".
Peço para ouvir o acusado, o que não é muito comum (!), podem acreditar, a alguns que cobrem polícia. Já na cela, surge a outra versão: "Não fiz nada com a menina. Ela é que me procurou pra fugir do padrastro. Ele, sim, é que pega a garota".

Na impossibilidade de ouvir a menina (ECA), recorri também à delegada, já com anos de vivência. Ela já havia suspeitado do agora padrasto.

No dia seguinte, a verdadeira história era a do acusado, segundo a investigação da delegada e a versão da menina.

Prudência e desconfiança é o que todo jornalista deve ter em mente na apuração de casos como o da advogada Paula (e de qualquer outro caso). É difícil, eu sei. As primeiras versões são quase sempre as que nos marcam de imediato. Mas, nisso tudo, não pode ser concebível não se ouvir o outro lado. É ele que aguça a nossa desconfiança e nos permite embarcar na prudência até diante de casos de indignação como esse.

Desconfiar é sempre bom.

PS.: O pai da advogada disse que de qualquer maneira ela seria vítima. Se não dos agressores, de problemas psicológicos. Mas há uma outra versão que dá conta de uma indenização que ela poderia estar atrás... Ahhh... as versões...

Um comentário:

M. de O. disse...

Por isso que eu digo: galinha e caldo de prudência... :)