terça-feira, 26 de abril de 2011
Só uma frase...
"Quero o inexpressivo. Quero o inumano dentro da pessoa; não, não é perigoso, pois de qualquer modo a pessoa é humana, não é preciso lutar por isso: querer ser humano me soa bonito demais."
Clarice Lispector, "A paixão segundo G.H"
Livro e cinema
Comecei a leitura do livro "Como A Geração Sexo-Drogas-E-Rock'n'roll Salvou Hollywood", de Peter Biskind (Intrinseca) e começando a entender porque Mário e Larissa fizeram tanta recomendação: o livro traz realmente novas histórias, novas percepções sobre o cinema. É um livro diferente e me ajuda a desconstruir e a ver o cinema americano de uma maneira também diferente.Tenho de admitir, boa parte de minhas leituras sobre cinema acabaram por ser digiridas para o cinema de autor e quando falamos desse quase-gênero cinematográfico, obrigatoriamente caímos no cinema europeu, não-ocidental; no cinema novo brasileiro e todos os seus diretores que se destacaram por obras únicas, ditas não-comerciais.
Antes de começar a ler, fiquei na dúvida entre qual livro seria o próximo: este, em questão, ou o "Cinefilia", que também me dei de presente, neste mês de abril. Decidi por Hollywood e estou adorando as histórias iniciais.
Enfim, abri a janela só pra dizer que vale a pena a leitura e que espero ter mais tempo para terminá-lo.
domingo, 24 de abril de 2011
Renovação
Domingo de Páscoa, domingo em casa. Decidi jogar fora lembranças passadas e deixar o espaço respirar um pouco. Tinha esquecido o quanto é bom rever aqueles papeis que há anos você não via e nem precisa mais guardar: lá se foram contas antigas, talões de cheques de banco que nem tenho mais conta, cartões de crédito antigo, minha carteira da biblioteca na época de USP, minhas correspondências com a saudosa professora Gisella; contas e mais contas...
Achei coisas muito legais, como abaixo-assinados que eu fazia na redação de A Crítica que iam desde condições de trabalho até o uso do ar-condicionado... Ri bastante porque não lembrava que eu era chatinha (será que ainda sou?).
Achei também umas fotos antigas do meu tempo (bom) de repórter. Qualquer dia escaneio e posto aqui. O achado mais engraçado estava em uma caixa embaixo de uma mesa. Preciosidades em vídeocassete: Muito além do Jardim; Sexo Mentiras e Videotapes; Cidadão Kane; Muito Barulho Por nada e um monte de outros filmes legais. Achei até um limpador de cabeçote (!). Lembram disso? Como não tenho mais vídeocassete, decidi me desfazer desses vídeos.
Vão para o antiquário do Aldrim, se ele quiser. ;)
E viva a Páscoa!
Achei coisas muito legais, como abaixo-assinados que eu fazia na redação de A Crítica que iam desde condições de trabalho até o uso do ar-condicionado... Ri bastante porque não lembrava que eu era chatinha (será que ainda sou?).
Achei também umas fotos antigas do meu tempo (bom) de repórter. Qualquer dia escaneio e posto aqui. O achado mais engraçado estava em uma caixa embaixo de uma mesa. Preciosidades em vídeocassete: Muito além do Jardim; Sexo Mentiras e Videotapes; Cidadão Kane; Muito Barulho Por nada e um monte de outros filmes legais. Achei até um limpador de cabeçote (!). Lembram disso? Como não tenho mais vídeocassete, decidi me desfazer desses vídeos.
Vão para o antiquário do Aldrim, se ele quiser. ;)
E viva a Páscoa!
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Nascer
"Fico com medo. Mas o coração bate.O amor inexplicável faz o coração bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: Eis os limites de minha possibilidade." Clarice Lispector - Água Viva.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
A fotografia e a paixão
Já falei disto, outras vezes, por aqui e acho que sempre vou voltar a ela: é sobre a paixão. Não falo das paixões do coração (ou da carne, que passam logo), mas aquelas que vêem da alma... daquilo que é visceral (adoro essa palavra).
Ontem, mais uma vez, fiquei encantada com a paixão do Raphael Alves pela fotografia, pelo fotojornalismo. Isso me enche a alma, como se me desse um impulso novo pra viver. A noite foi das melhores. Se alguém tivesse me fotografado iria me ver sorrindo, como às vezes me pego assistindo a algum filme que me toca, me eleva.
Também estava muito feliz com o resultado do concurso de Fotografia do ICBEU. Como sou boba, por natureza, fiquei emocionada em saber que a foto vencedora era uma de minhas preferidas. O autor é um colega do grupo Fotografia Manaus, o Gedeon, que também tem sensibilidade apurada. Me emociono com coisas simples.
Raphael Alves, que também é Freire, diga-se de passagem, é tão bobo (no bom sentido) quanto eu: disse que chora ao falar de fotos que lhe foram importantes, que sai à noite só pra olhar as paisagens e cenas do Centro de Manaus e que ao ser perguntado se vai sair pra beber cerveja, ele apenas agradece e diz que sua cerveja é a fotografia.
Rapha nos mostrou a beleza do jornalismo e podem dizer o que quiserem (principalmente os que nada sabem de jornalismo): pra mim é a melhor profissão do mundo.
Ontem, mais uma vez, fiquei encantada com a paixão do Raphael Alves pela fotografia, pelo fotojornalismo. Isso me enche a alma, como se me desse um impulso novo pra viver. A noite foi das melhores. Se alguém tivesse me fotografado iria me ver sorrindo, como às vezes me pego assistindo a algum filme que me toca, me eleva.
Também estava muito feliz com o resultado do concurso de Fotografia do ICBEU. Como sou boba, por natureza, fiquei emocionada em saber que a foto vencedora era uma de minhas preferidas. O autor é um colega do grupo Fotografia Manaus, o Gedeon, que também tem sensibilidade apurada. Me emociono com coisas simples.
Raphael Alves, que também é Freire, diga-se de passagem, é tão bobo (no bom sentido) quanto eu: disse que chora ao falar de fotos que lhe foram importantes, que sai à noite só pra olhar as paisagens e cenas do Centro de Manaus e que ao ser perguntado se vai sair pra beber cerveja, ele apenas agradece e diz que sua cerveja é a fotografia.
Rapha nos mostrou a beleza do jornalismo e podem dizer o que quiserem (principalmente os que nada sabem de jornalismo): pra mim é a melhor profissão do mundo.
Da escrita e da ficção
Preciso lembrar de comprar o livro Como funciona a ficção, do ensaista e crítico inglês James Wood. Não que vá me tornar escritora, porque sempre tive consciência de que não nasci para criar histórias, no máximo, recontar ou reportar o real. Mas vi a indicação na revista Bravo! e a síntese era do Milton Hatoum (preciso dizer mais?). O livro, segundo ele, "trata de questões importantes da arte da ficção: o personagem, o narrador, a metáfora, a verossimilhança, a empatia do leitor com o texto". Portanto, como neste campo também gosto da teoria, preciso comprar.
Ah... a edição da Cosac Naify ;)
Ah... a edição da Cosac Naify ;)
Do absurdo
Concluí, novamente, Esperando Godot, de Samuel Beckett, dessa vez a edição cuidadosa da CosacNaify. O livro, agora, tem a minha cara: está grifado a lápis e as melhores passagens ainda ganharam o "divisor" de páginas dobradas na ponta do vértice.Antes, eu não permitia essa marcação em meus livros. Achava quase uma heresia "machucá-lo". Mas foi a partir da leitura e releitura de Água Viva, de Clarice Lispector, que mudei de opinião. Em uma das releituras, não tinha lápis pra grifar, mas queria marcar certas passagens e tive de apelar para a dobra das páginas. A cada nova leitura, o livro foi ganhando novos grifos e novas dobras. Mas são as minhas marcas, os caminhos pelos quais percorri no livro.
Comprei, no passado, vários livros em sebos. Sempre evitei comprar aqueles que tinham o nome do antigo dono, exceto um: era da área de Sociologia da Comunicação e pertecera a Ciro Marcondes Filho. Além da assinatura do estudioso da Comunicação, havia ali o seu ex-libris, que adorei (e passei a fazer um pra mim), e algumas passagens grifadas. É como se estivesse lendo o livro junto com o antigo dono.
Voltando a Godot, Becktt e o teatro do absurdo, fico pensando em nossas apostas, nossas esperas... Portanto, saiba, talvez não venha e pode ser melhor assim.
"Ele não consegue mais suportar a minha presença. Talvez eu não seja particularmente humano, mas isso lá é motivo? (a Vladimir) Pense duas vezes antes de cometer um desatino. Digamos que parta agora, enquanto ainda está claro, pois apesar de tudo ainda é dia. Bem, o que seria, nesse caso do seu encontro com o tal... Godet... Godot... Godin... enfim, sabe de quem estou falando, que carrega o futuro em suas mãos... enfim, seu futuro imediato". Personagem Pozzo, Esperando Godot, p 58/59.
sábado, 9 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Sol em Dublin
Conheci Soraia quando ela ainda estava indecisa entre Jornalismo, Publicidade e Radialismo. Anos depois, nos reencontramos como alunas em um curso de pós-graduação em Cinema, mais precisamente em um set de filmagem.
Soraia, ou Sol, como prefere, virou pra mim e disse: "Esse mês vou para Dublin estudar inglês. Na verdade, vou passar 6 meses por lá". Não podia deixar de sentir um tantinho de inveja, ainda mais agora que preciso falar inglês com urgência. Soraia completou e arrematou minha inveja: "Não sou casada, não tenho namorado, não tenho filhos. Vou arriscar". Ela já havia comentado isto com outras pessoas e esperava ouvir palavras de incentivo. E foi o que fiz: disse que adoro pessoas que não têm medo de se desapegar, de se desenraizar e que gostaria muito de fazer o mesmo.
Pensei em algumas pessoas que de longe parecem desenraizadas, mas que, na verdade, estão com os dois pés, o coração e a alma fincados em suas raízes, em outras cidades, sem conseguir viver o hoje. Por vezes, vivem mais o virtual que o real. Mas enganam bem.
Sol vai para terra de James Joyce sem ter lido Ulisses ou Finnegans Wake. Nem precisa. Precisa apenas saber viver.
Soraia, ou Sol, como prefere, virou pra mim e disse: "Esse mês vou para Dublin estudar inglês. Na verdade, vou passar 6 meses por lá". Não podia deixar de sentir um tantinho de inveja, ainda mais agora que preciso falar inglês com urgência. Soraia completou e arrematou minha inveja: "Não sou casada, não tenho namorado, não tenho filhos. Vou arriscar". Ela já havia comentado isto com outras pessoas e esperava ouvir palavras de incentivo. E foi o que fiz: disse que adoro pessoas que não têm medo de se desapegar, de se desenraizar e que gostaria muito de fazer o mesmo.
Pensei em algumas pessoas que de longe parecem desenraizadas, mas que, na verdade, estão com os dois pés, o coração e a alma fincados em suas raízes, em outras cidades, sem conseguir viver o hoje. Por vezes, vivem mais o virtual que o real. Mas enganam bem.
Sol vai para terra de James Joyce sem ter lido Ulisses ou Finnegans Wake. Nem precisa. Precisa apenas saber viver.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Da amizade
A Livraria Saraiva tem sido um refúgio. Canto bom cercado de coisas boas, gente bacana. O mais engraçado foi encontrar em uma revista descompromissada da própria livraria, um texto que devorei em instantes. Havia recebido a revista e a colocado dentro da indefectível sacola amarela quando em um intervalo de espera decidi folheá-la: Saraiva Conteúdo é o nome da revista que me apresentou um texto ótimo sobre a escritora Hilda Hilst. Conhecia pouco da história dela e fiquei encantada com o que li: além do amor pelos cães, o que já me chamou atenção de cara, Hilda falava de sua amizade com a escritora Lygia Fagundes Telles e também com o escritor José Moura Fuentes, com quem teve um relacionamento amoroso.O filho de Fuentes diz que Hilda e o escritor se consideravam "irmãos de alma", o que achei lindo, mas ainda estou tentando entender.
Sobre Lygia há diversas passagens que atestam a amizade entre as duas, o que me fez sentir inveja de Lygia. Imaginem só: amiga de Hilda e ainda de Clarice Lispector.
Há quem duvide da existência de amizades assim, mas não tenho do que me queixar. Sei que minhas amizades também têm esse peso: da alma e do coração.
Elas vão ficar pra sempre.
Trecho de poema de Hilda
"É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida (...)"
domingo, 3 de abril de 2011
Hiatos
Voltei à minha janela, atendendo ao pedido de minha amiga Liege. E ela tem toda razão: escrever é uma terapia. Essa semana, vi várias imagens que me deram vontade de escrever, mas tem uma frase, em particular, que me tocou profundamente. Foi uma frase captada de uma conversa paralela, mas que ficou me martelando nesses dias: "O que mais me chateia no passar do tempo são os hiatos".Achei a frase poética, mas o tom da pessoa, sempre alegre, se modificou ao dizer aquelas palavras. Vi um pouco de angústia e fiquei assim um tanto angustiada também. Talvez porque sejam esses hiatos, as faltas, o que tem me angustiado também. Acho que chega uma época em que ficamos assim, meio sem rumo, meio sem chão.
Quando fico assim releio meus livros de cabeceira: eis-me relendo "Esperando Godot" e adorando os diálogos de Vladimir e Estragon sobre a espera, sobre o que virá, sobre o incerto, sobre... viver... Também estou relendo Clarice e sua Água Viva (quinta vez?); Caio Fernando de Abreu (para sempre teu) e comprei um livro novo por indicação de Mário e Larissa: "Como a geração sexo-drogas-e-rock´n´roll salvou Hollywood - easy riders, raging bulls", de Peter
Biskind. Na fila, pra pagar esse livro, um outro me chamou: "Pergunte ao pó", de John Fante, que um amigo também já havia me indicado. Levei porque ele me chamou, podem ter certeza. Parece que a gôndola do livro foi colocada providencialmente na minha frente, na hora em que já
não podia escolher mais livros. Tive de levar.
Enfim, são os livros e o cinema que, de certa forma, preenchem meus hiatos. As pessoas também, mas às vezes, elas fazem parte dos hiatos.
Estou confusa, eu sei. Mas estou viva!
Frase em um muro qualquer: Aonde você encontra sua liberdade?
E uma frase de Caio Fernando Abreu Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
*Pra eu não esquecer: preciso escrever sobre hilda hist e glauco matoso...
** Pronto, melhorzinha agora... no ponto final.
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