segunda-feira, 4 de abril de 2011

Da amizade

A Livraria Saraiva tem sido um refúgio. Canto bom cercado de coisas boas, gente bacana. O mais engraçado foi encontrar em uma revista descompromissada da própria livraria, um texto que devorei em instantes. Havia recebido a revista e a colocado dentro da indefectível sacola amarela quando em um intervalo de espera decidi folheá-la: Saraiva Conteúdo é o nome da revista que me apresentou um texto ótimo sobre a escritora Hilda Hilst. Conhecia pouco da história dela e fiquei encantada com o que li: além do amor pelos cães, o que já me chamou atenção de cara, Hilda falava de sua amizade com a escritora Lygia Fagundes Telles e também com o escritor José Moura Fuentes, com quem teve um relacionamento amoroso.
O filho de Fuentes diz que Hilda e o escritor se consideravam "irmãos de alma", o que achei lindo, mas ainda estou tentando entender.

Sobre Lygia há diversas passagens que atestam a amizade entre as duas, o que me fez sentir inveja de Lygia. Imaginem só: amiga de Hilda e ainda de Clarice Lispector.

Há quem duvide da existência de amizades assim, mas não tenho do que me queixar. Sei que minhas amizades também têm esse peso: da alma e do coração.
Elas vão ficar pra sempre.

Trecho de poema de Hilda

"É crua a vida. Alça de tripa e metal.

Nela despenco: pedra mórula ferida.

É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.

Como-a no livor da língua

Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me

No estreito-pouco

Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida (...)"

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