A Livraria Saraiva tem sido um refúgio. Canto bom cercado de coisas boas, gente bacana. O mais engraçado foi encontrar em uma revista descompromissada da própria livraria, um texto que devorei em instantes. Havia recebido a revista e a colocado dentro da indefectível sacola amarela quando em um intervalo de espera decidi folheá-la: Saraiva Conteúdo é o nome da revista que me apresentou um texto ótimo sobre a escritora Hilda Hilst. Conhecia pouco da história dela e fiquei encantada com o que li: além do amor pelos cães, o que já me chamou atenção de cara, Hilda falava de sua amizade com a escritora Lygia Fagundes Telles e também com o escritor José Moura Fuentes, com quem teve um relacionamento amoroso.O filho de Fuentes diz que Hilda e o escritor se consideravam "irmãos de alma", o que achei lindo, mas ainda estou tentando entender.
Sobre Lygia há diversas passagens que atestam a amizade entre as duas, o que me fez sentir inveja de Lygia. Imaginem só: amiga de Hilda e ainda de Clarice Lispector.
Há quem duvide da existência de amizades assim, mas não tenho do que me queixar. Sei que minhas amizades também têm esse peso: da alma e do coração.
Elas vão ficar pra sempre.
Trecho de poema de Hilda
"É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida (...)"
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