quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sol em Dublin

Conheci Soraia quando ela ainda estava indecisa entre Jornalismo, Publicidade e Radialismo. Anos depois, nos reencontramos como alunas em um curso de pós-graduação em Cinema, mais precisamente em um set de filmagem.

Soraia, ou Sol, como prefere, virou pra mim e disse: "Esse mês vou para Dublin estudar inglês. Na verdade, vou passar 6 meses por lá". Não podia deixar de sentir um tantinho de inveja, ainda mais agora que preciso falar inglês com urgência. Soraia completou e arrematou minha inveja: "Não sou casada, não tenho namorado, não tenho filhos. Vou arriscar". Ela já havia comentado isto com outras pessoas e esperava ouvir palavras de incentivo. E foi o que fiz: disse que adoro pessoas que não têm medo de se desapegar, de se desenraizar e que gostaria muito de fazer o mesmo.

Pensei em algumas pessoas que de longe parecem desenraizadas, mas que, na verdade, estão com os dois pés, o coração e a alma fincados em suas raízes, em outras cidades, sem conseguir viver o hoje. Por vezes, vivem mais o virtual que o real. Mas enganam bem.

Sol vai para terra de James Joyce sem ter lido Ulisses ou Finnegans Wake. Nem precisa. Precisa apenas saber viver.

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