domingo, 3 de abril de 2011

Hiatos

Voltei à minha janela, atendendo ao pedido de minha amiga Liege. E ela tem toda razão: escrever é uma terapia. Essa semana, vi várias imagens que me deram vontade de escrever, mas tem uma frase, em particular, que me tocou profundamente. Foi uma frase captada de uma conversa paralela, mas que ficou me martelando nesses dias: "O que mais me chateia no passar do tempo são os hiatos".
Achei a frase poética, mas o tom da pessoa, sempre alegre, se modificou ao dizer aquelas palavras. Vi um pouco de angústia e fiquei assim um tanto angustiada também. Talvez porque sejam esses hiatos, as faltas, o que tem me angustiado também. Acho que chega uma época em que ficamos assim, meio sem rumo, meio sem chão.

Quando fico assim releio meus livros de cabeceira: eis-me relendo "Esperando Godot" e adorando os diálogos de Vladimir e Estragon sobre a espera, sobre o que virá, sobre o incerto, sobre... viver... Também estou relendo Clarice e sua Água Viva (quinta vez?); Caio Fernando de Abreu (para sempre teu) e comprei um livro novo por indicação de Mário e Larissa: "Como a geração sexo-drogas-e-rock´n´roll salvou Hollywood - easy riders, raging bulls", de Peter
Biskind. Na fila, pra pagar esse livro, um outro me chamou: "Pergunte ao pó", de John Fante, que um amigo também já havia me indicado. Levei porque ele me chamou, podem ter certeza. Parece que a gôndola do livro foi colocada providencialmente na minha frente, na hora em que já
não podia escolher mais livros. Tive de levar.

Enfim, são os livros e o cinema que, de certa forma, preenchem meus hiatos. As pessoas também, mas às vezes, elas fazem parte dos hiatos.

Estou confusa, eu sei. Mas estou viva!

Frase em um muro qualquer: Aonde você encontra sua liberdade?

E uma frase de Caio Fernando Abreu Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.


*Pra eu não esquecer: preciso escrever sobre hilda hist e glauco matoso...
** Pronto, melhorzinha agora... no ponto final.

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