"A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18". Mark Twain
Há quem diga que o filme não é triste; há quem não chore ao vê-lo, mas há também aqueles que, como eu, saíram do cinema de olhos vermelhos e marejados. O filme: "O curioso caso de Benjamin Button", baseado em um conto de F. Scott Fitzgerald. Por que chorei? A explicação vem do diretor do filme, David Fincher, na Ilustrada (FSP) tentando explicar exatamente que não se trata de um filme triste:
"Não acho que "Benjamin Button" seja um filme triste. É um filme sobre as relações que experimentamos ao longo da vida, confrontadas com a perda dessas relações. Sobre as marcas que deixamos uns nos outros quando nos encontramos pelo caminho. Sobre dor, alegria, amor e remorso.
Precisa dizer mais? Foi por tudo isso que chorei. Pelas perdas, pelas marcas, pela dor e remorsos, mas também pelas emoções e alegrias da vida. Não se chora só de tristeza, mas às vezes de alegrias ou apenas por uma melancolia quase inexplicável, como os cheiros e luzes de um sábado ou domingo, por exemplo.
Chorei ao ver a primeira imagem de um filho diferente e abandonado, enternecido pelo amor de uma nova mãe. Chorei pelas perdas e também pela passagem do tempo. E é ele, o tempo, o grande protagonista do filme, marcado inicialmente por um relógio que conta as horas de modo inverso.
É a "aresta de um instante", como nos alerta Raduan em Lavoura Arcaica, que nos faz pensar: e se eu não estivesse lá, naquele momento? E se eu não tivesse dado aquele passo? Dito aquela frase? O "não ter volta" é, muitas vezes, angustiante, daí a frase acima, que deu origem ao conto de F. Scott Fitzgerald.
Mas gosto também de pensar nas marcas que deixamos nos outros e que os outros nos deixam. Outro dia, conversando com Mário Freire, Fernanda, Nato e Marcos, no Bar do Fidélis, vi o quanto ele, Mário, meu tio, tinha marcado de alguma maneira a minha vida. Ele começou a falar das peças de Beckett, sobre teatro e, ao falar, me encheu a alma. Como gosto disso! Do simbólico que marca nossas vidas e ainda há quem não perceba.
Há pessoas que nos marcam profundamente. Alteram nossa rotina. Nos fazem ver o mundo diferente. E a falta delas ou só a possibilidade dessa falta me angustia. Paro aqui, portanto, mas deixo o indicativo do filme.
Quem gostou de Forrest Gump, acredito que vá gostar de Benjamin Button, a exemplo deste vídeo que vai "linkado" a esta página. São as marcas-passado que também perseguem diretores e roteiristas (este último, o mesmo de Forrest Gump): sempre vão estar ali, pontuando suas obras; não dá pra esconder.

