domingo, 25 de janeiro de 2009

O tempo

"A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18".

Mark Twain


Há quem diga que o filme não é triste; há quem não chore ao vê-lo, mas há também aqueles que, como eu, saíram do cinema de olhos vermelhos e marejados. O filme: "O curioso caso de Benjamin Button", baseado em um conto de F. Scott Fitzgerald. Por que chorei? A explicação vem do diretor do filme, David Fincher, na Ilustrada (FSP) tentando explicar exatamente que não se trata de um filme triste:

"Não acho que "Benjamin Button" seja um filme triste. É um filme sobre as relações que experimentamos ao longo da vida, confrontadas com a perda dessas relações. Sobre as marcas que deixamos uns nos outros quando nos encontramos pelo caminho. Sobre dor, alegria, amor e remorso.

Precisa dizer mais? Foi por tudo isso que chorei. Pelas perdas, pelas marcas, pela dor e remorsos, mas também pelas emoções e alegrias da vida. Não se chora só de tristeza, mas às vezes de alegrias ou apenas por uma melancolia quase inexplicável, como os cheiros e luzes de um sábado ou domingo, por exemplo.

Chorei ao ver a primeira imagem de um filho diferente e abandonado, enternecido pelo amor de uma nova mãe. Chorei pelas perdas e também pela passagem do tempo. E é ele, o tempo, o grande protagonista do filme, marcado inicialmente por um relógio que conta as horas de modo inverso.

É a "aresta de um instante", como nos alerta Raduan em Lavoura Arcaica, que nos faz pensar: e se eu não estivesse lá, naquele momento? E se eu não tivesse dado aquele passo? Dito aquela frase? O "não ter volta" é, muitas vezes, angustiante, daí a frase acima, que deu origem ao conto de F. Scott Fitzgerald.

Mas gosto também de pensar nas marcas que deixamos nos outros e que os outros nos deixam. Outro dia, conversando com Mário Freire, Fernanda, Nato e Marcos, no Bar do Fidélis, vi o quanto ele, Mário, meu tio, tinha marcado de alguma maneira a minha vida. Ele começou a falar das peças de Beckett, sobre teatro e, ao falar, me encheu a alma. Como gosto disso! Do simbólico que marca nossas vidas e ainda há quem não perceba.

Há pessoas que nos marcam profundamente. Alteram nossa rotina. Nos fazem ver o mundo diferente. E a falta delas ou só a possibilidade dessa falta me angustia. Paro aqui, portanto, mas deixo o indicativo do filme.

Quem gostou de Forrest Gump, acredito que vá gostar de Benjamin Button, a exemplo deste vídeo que vai "linkado" a esta página. São as marcas-passado que também perseguem diretores e roteiristas (este último, o mesmo de Forrest Gump): sempre vão estar ali, pontuando suas obras; não dá pra esconder.

Benjamin = Forrest - assista.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Distante...

Estive ausente de minha janela azul por um tempo... Não que eu quisesse, mas é que nem sempre consigo ficar por perto. Estava com saudades já. E até tenho boas notícias...

Meus últimos posts davam conta de uma promoção que participei no final do ano e aguardava o resultado. Pois não é que ganhei. O livro chegou com a assinatura afetuosa do autor, Renato Alarcão. Fiquei muito feliz, sabendo que 2009 promete.

Guardei até o papel de embrulho porque tem lá a passagem do ilustrador pelo papel: sua inconfundível caligrafia e assinatura. Estou lendo o livro, aos poucos, sem seguir a ordem dos artigos.

Por enquanto, ainda estou tirando as teias e poeira desta janela ... Volto em breve.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Que ideia...

Não estou gostando nada disso... tiraram o acento de ideia. Mandaram sabe-se lá pra onde...
Me dói na alma ver a palavra assim... aliás, dói ainda tem acento?

O vento


Um pouco de Quintana, neste novo ano...


O que o vento não levou

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mário Quintana

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Primeiro dia

Hoje, primeiro dia do ano, e já estou aqui na minha janela aguardando o resultado de uma promoção bem legal do Alarcão: o primeiro e-mail do ano de 2009 seria presenteado com um livro sobre "o que é qualidade na ilustração para literatura".

Fiquei em dúvida sobre os horários e fusos deste mundo Brasil, ainda mais louco por conta do horário de verão, mas arrisquei a "meia noite" de São Paulo, é claro (Manaus 22h). Acho que não consegui ser a primeira, o que seria maravilhoso porque o livro viria autografado... mas tudo bem.

Tenho vários livros autografados. Gosto da idéia da assinatura do autor testemunhando o contato direto com o leitor-fã. Um dos que mais gosto (quem me conhece já sabe esta história de longas datas) é do Ignacio de Loyola Brandão porque fala do meu olhar. Tem também da Isabel Allende (através de uma amiga), do Moacir Scliar, Fernando Morais, Lia Luft e Milton Hatoum (vários).

Também lembrei que estou em débito com um livro infantil da Larissa que comecei a ilustrar e não terminei... Mas vou terminar, prometo.