Há alguns anos vínhamos observando um movimento interessante de recusa da população aos candidatos tradicionalmente vistos, tachados e até comprovadamente corruptos. ACM e Maluf sempre foram os mais emblemáticos. Eles sempre voltavam como candidato, mas nos últimos anos, nem com todas as mandingas da Bahia de todos os santos, conseguiam eleger seus candidatos. ACM desde 2006 sentiu o baque; seu neto idem. Maluf quase perdeu todas as eleições.
Em Manaus, tínhamos convivido com isso também. Amazonino sempre carregou, até nacionalmente, a pecha de corrupto além daqueles outros adjetivos que colam toda vez que falamos genericamente da verve de um político. Nas últimas eleições ele perdeu e agora retorna com indicativos de que pode vencer.
Admito que há nesses candidatos uma espécie de fetiche (só Freud pra explicar isso), de carisma também fruto de outro fetiche: daqueles que aparecem na TV ou outras mídias. Certa vez, quando fazia a cobertura de um caso trágico em Manaus (um menino que caiu em um poço; a cobertura levou alguns dias), ouvia e via as pessoas fascinadas ao redor dos jornalistas de televisão. Uma menina me perguntou em qual TV eu trabalhava e expliquei que era de jornal impresso. Ela se virou, um tanto decepcionada, mas pediu assim mesmo um autógrafo.
Muito estranho, foi o que achei na hora. Sem falar na curiosidade mórbida que boa parte da população tem. É essa magia que faz de um candidato medíocre ser, em pouco menos de um ano, um fenômeno de votação. Mundo cão nas telas é fórmula consagrada.
Assim, colocando no mesmo balaio (não vou falar de gatos porque seria uma maldade com os bichanos) todos os candidatos tradicionalmente vistos e apontados como corruptos, fico sem entender como alguém em sua sã consciência ainda possa escolhê-los para gerir suas vidas.
E aí me vem a explicação individualista. Embora uma eleição seja coletiva, é o individual, nesses casos, que acaba prevalecendo. Quem escolhe um candidato sabidamente (ou sabinamente) corrupto, só pode estar pensando de maneira egoísta de que poderá se beneficiar desta mesma corrupção, acreditando ser em menor escala. Por isso ouço tantos argumentos como os que seguem: voto em troca de uma vaga de emprego para um marido; uma facilitação para a empresa x; um emprego fantasma para outro; uma passagem aérea, enfim, uma vida boa para "os seus".
Nesses casos, portanto, não importa se for um Hitler, um skinhead ou a ku kux klan: o que importa é levar vantagem. O que importa é que seu mundinho seja preservado. Às favas crianças nas ruas; às favas educação; às favas saúde. A prioridade será sempre "os seus". Por isso, os políticos falam quea educação pública melhorou, mas continuam colocando seus filhos em escolas particulares. Por isso, falam que a saúde melhorou, mas continuam pagando planos de saúde ou levando "os seus" para fora do estado ou até país.
A essas pessoas não há outra explicação: falta o que comumente chamamos de "vergonha na cara".
E a essas pessoas não permitiremos que reclamem, JAMAIS, da vergonha dos desvios de verba, do uso de dinheiro público para favorecimento pessoal. CALEM-SE, TODOS. Não falem mais de política; não reclamem da saúde; não falem da educação. Não digam: cansei. Não resmunguem sobre o trânsito. Nem se o vizinho colocar o som às alturas. Vocês perderam o direito.
sábado, 25 de outubro de 2008
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