Às vezes, é inevitável. Sem querer, você se pega envolvida na conversa alheia. Outras vezes, é até por querer, por não ser possível não deixar de ouvir o desfecho de uma história. Foi assim, outro dia, na Livraria Saraiva. Estava olhando os livros, folheando alguns, quando então me peguei no meio de uma conversa.
A seção era a de poesias. Um rapaz, segurando o livro de Manuel de Barros, perguntava a uma moça, todo galanteador:
- Você gosta de poesia?
Ao que ela prontamente, sem hesitar e segura, responde:
- Não.
- Não?! Pergunta ele, em tom de espanto. "E de qual gênero você gosta?"
É claro que fiquei imóvel, fingindo olhar outros livros, mas queria mesmo era descobrir, afinal, qual era o gênero preferido da moça e como o rapaz iria se sair com a deixa tão inesperada.
- Culinária, disse ela monossilábica, mas ao mesmo tempo demonstrando ter algum interesse pelo rapaz.
Sentindo reciprocidade, ele foi em frente:
- Que tipo de culinária você gosta?
- Bem, gosto de cozinhar, mas nada especial. Gosto de cozinhar para os meus pais.
Não consegui ouvir o restante da conversa, já era demais pra mim, mas sei que pelo movimento dos dois houve troca de telefones e tudo o mais...
Culinária e poesia... e não é que deu um bom caldo...
"Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas.
E me encantei." Manoel de Barros
domingo, 24 de julho de 2011
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