O título deste comentário não é original. Li uma crítica sobre o filme "A Fita Branca" e achei a expressão um resumo perfeito da história que concorre, este ano, ao Oscar de Melhor FilmeEstrangeiro. Assisti ontem, ainda que "pescando" algumas vezes, mas gostei do que vi e já adianto que preciso ver novamente.
Michael Haneke, diretor do também desconcertante "A professora de piano" (La Pianiste), consegue deixar o espectador em suspense para descobrir quem, afinal, é o autor (ou autores) dos acontecimentos que assustam os moradores de uma pequena cidade na Alemanha, às vésperas da Primeira Guerra Mundial: um médico que cai de um cavalo depois de passar por uma armadilha; duas crianças sequestradas e torturadas; uma mulher deficiente morta aparentemente em um acidente de trabalho; um celeiro incendiado, entre outros.
Na tecitura da vida social é que se revelam os processos e armadilhas que formam o que Clarice Lispector volta e meia costuma chamar de gênero humano. O autoritarismo na pequena cidade de "A fita branca" está na genealogia do mal. Daí porque não ser possível deixar de fazer uma alusão ao nazismo e seus objetivos de destruir tudo que fosse imperfeito aos olhos dos nazistas (deficientes, judeus...).
A fita branca servia tanto para marcar o que os pais queriam que os filhos lembrassem no processo de crescimento pessoal (ingenuidade, paz), como também para amarrar as mãos dos garotos à noite, inibindo pensamentos e ações que eles achavam pecaminosas.
É interessante como o filme vai desnudando as aparências, culminando com a descoberta final, que, na realidade, vai caber muito ao espectador a descoberta.
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